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Convocado pelo STF

Bolsonaro diz à PF que 'exerceu direito de ausência' ao faltar a depoimento

No documento direcionado à delegada responsável pelo caso, o presidente disse que a posição encontra respaldo em decisão do Supremo que tratou dos direitos de investigados em apurações policiais

Publicado em 29 de Janeiro de 2022 às 20:28

Agência FolhaPress

Publicado em 

29 jan 2022 às 20:28
O presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou uma declaração à Polícia Federal na sexta-feira (28) para justificar sua ausência no depoimento em que deveria prestar esclarecimentos no âmbito do inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos de investigação da corporação sobre suposto ataque ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro teria de prestar depoimento ao STF pela acusação de ter vazado documentos sigilosos de investigação da PF Crédito: Clauber Cleber Caetano/PR
No documento direcionado à delegada responsável pelo caso, o presidente afirma que exerceu o "direito de ausência" e diz que sua posição encontra respaldo em decisão do Supremo que tratou dos direitos de investigados em apurações policiais.
A oitiva do chefe do Executivo havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e ocorreria na sexta, mas Bolsonaro não compareceu ao interrogatório.
"Venho, respeitosamente, informar à Autoridade de Polícia Federal responsável pela condução das investigações do IPL nº. 2021.0061542 que exercerei o direito de ausência quanto ao comparecimento à solenidade designada na Sede da Superintendência da PF para o corrente dia, às 14:00, tudo com suporte no quanto decidido pelo STF, no bojo das ADPF's nº 395 e 444", diz o texto assinado pelo presidente.
Nas ações mencionadas por Bolsonaro, uma delas de autoria do PT, a corte decidiu que um investigado não pode ser alvo de condução coercitiva para ser obrigado a comparecer a depoimento.
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi quem convocou Bolsonaro a prestar depoimento Crédito: Nelson Jr / SCO / STF
No texto, o presidente também diz que já prestou "esclarecimentos que reputava pertinentes" em petição enviada ao STF no último dia 26 e defende a remessa dos autos da apuração à PGR (Procuradoria-Geral da República).
O documento foi encaminhado direto à polícia e não foi protocolado no Supremo para conhecimento do relator do caso, Alexandre de Moraes. No relatório sobre a investigação, a PF diz ter visto crime do chefe do Executivo em sua atuação no vazamento de dados sigilosos de investigação de suposto ataque ao sistema do TSE .
Apesar disso, a polícia afirmou que não o indiciou por respeitar posicionamentos recentes do Supremo de que pessoas com foro só podem ser indiciadas mediante prévia autorização da corte. Bolsonaro passeou por Brasília neste sábado (29) e concedeu entrevista a jornalistas, mas evitou comentar o assunto.
Em decisão publicada na quinta, Moraes havia afirmado que o presidente não indicou local, dia e horário dentro do prazo para ser ouvido pelos policiais e, por isso, teria que comparecer na Superintendência da PF no Distrito Federal, às 14h do dia seguinte para o interrogatório.
Em 29 de novembro, Moraes havia dado prazo de 15 dias para que a oitiva fosse realizada. Quando o tempo estava para esgotar, a AGU (Advocacia-Geral da União) pediu a prorrogação sob a justificativa do excesso de compromissos de Bolsonaro, mas indicando que o presidente compareceria ao interrogatório.
O ministro, então, concedeu mais 45 dias de prazo, que se esgotaria nesta sexta (28). Na última quarta (26), a AGU pediu para Bolsonaro não ser interrogado. Moraes, porém, não atendeu à solicitação do órgão, mandou o presidente prestar depoimento na quinta e justificou que a AGU alterou o posicionamento às vésperas do fim do período previsto.
Bolsonaro, no entanto, faltou à oitiva e apresentou recurso contra a decisão do magistrado minutos antes do horário marcado para o interrogatório. Menos de uma hora depois, o magistrado recusou o recurso sob o argumento de que já havia passado o momento de apresentação desse tipo de pedido.
No relatório em que diz ter visto crime de Bolsonaro, a PF também afirma que o deputado Felipe Barros (PSL-PR) teria cometido crime pelo mesmo motivo. Por não ter foro, o ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro César Barbosa Cid, foi o único investigado formalmente indiciado.
"Os elementos colhidos apontam também para a atuação direta, voluntária e consciente de Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro e de Jair Messias Bolsonaro na prática do crime previsto no artigo 325, §2°, c/c [combinado com o] 327, §2°, do Código Penal brasileiro, considerando que, na condição de funcionários públicos, revelaram conteúdo de inquérito policial que deveria permanecer em segredo até o fim das diligências", diz o relatório da PF. ​
A ausência de Bolsonaro ao depoimento provocou reações de opositores e aliados. A presidente do PT, deputada federal, Gleisi Hoffmann (PR), relembrou a ocasião em que Lula foi alvo de condução coercitiva para criticar Bolsonaro.
"Lula, que nunca se recusou a depor, sem nenhum motivo foi alvo de condução coercitiva em 2016, espetacularizada pela mídia. Bolsonaro, que avisou que não obedeceria ordens do STF, foi intimado e cumpriu a promessa hoje, nada sofreu. Pau que bate em Chico, não bate em Francisco."
Também a deputada federal e líder da bancada do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ), manifestou-se quanto ao fato de Bolsonaro não ter comparecido à PF. "Quem não deve, não teme! Bolsonaro não compareceu ao seu depoimento na Polícia Federal sobre o inquérito que apura vazamento de investigação do TSE sobre ataque às urnas eletrônicas. O presidente não pode estar acima da lei!"
O senador e líder da oposição do Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), considerou a atitude de Bolsonaro um desrespeito às instituições. "Bolsonaro não está acima de ninguém. As instituições não podem aceitar tamanho desrespeito! Acabo de acionar o STF para que adote as medidas cabíveis por Bolsonaro não ter comparecido ao depoimento. Isso é uma afronta, inclusive ao cargo de Presidente!"
Já a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) foi uma das congressistas da base aliada que fez críticas à determinação de Moraes. Em postagem em rede social, Zambelli marcou o ministro do STF e escreveu "#TamoJuntoPresidente".
"Ministro @Alexandre está achando que pode afastar um Presidente no tapetão ou investigá-lo sem autorização do Câmara de Deputados?", questionou. "Isso está ficando cada vez mais absurdo, ele não 'se acha', ele 'se' tem certeza", escreveu.
Sem mencionar a ausência ao depoimento, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), que é candidato de Bolsonaro ao governo de Goiás, parabenizou o presidente em tuíte na sexta. "Parabéns pela coragem e pela atitude, presidente @jairbolsonaro. Muito obrigado!!".
Em postagem anterior disse: "Direito de ausência do investigado ao interrogatório é cristalino nas próprias decisões do Supremo. Se ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo e se o interrogatório é um meio de defesa do investigado, este não querendo depor, é óbvio que não se pode obrigá-lo."
O senador Marcos Rogério (DEM-RO), que se notabilizou pela defesa da gestão Bolsonaro na CPI da Covid, também criticou a determinação de Moraes em rede social.
"O país assiste, estarrecido, a falta de bom senso do ministro Alexandre de Moraes, que busca constranger o presidente da República, Jair Bolsonaro, a prestar depoimento perante autoridade policial, sem a mesma prerrogativa de fazê-lo por escrito, como indicam os precedentes", escreveu.
Colaborou Renata Galf, de São Paulo

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