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Educação

Apesar de falha no Enem, governo mantém data do Sisu

O governo identificou a falha nas notas a partir de relatos de candidatos nas redes sociais e aposta numa solução rápida do problema

Publicado em 18 de Janeiro de 2020 às 19:14

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 jan 2020 às 19:14
Aplicativo de celular para o candidato consultar o ENEM 2019 Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil
O MEC (Ministério da Educação) ainda não tem a dimensão do número de participantes do Enem 2019 com notas erradas por causa da falha na gráfica. Mesmo assim, o ministro Abraham Weintraub se apressou em minimizar o impacto do problema e manteve o calendário do Sisu, que seleciona alunos para universidade públicas. 
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC responsável pela prova, promete ter a situação resolvida até segunda-feira, véspera da abertura das inscrições no Sisu (Sistema de Seleção Unificada). O presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse não trabalhar com a hipótese de adiar as inscrições.
O governo identificou a falha nas notas a partir de relatos de candidatos nas redes sociais e aposta numa solução rápida do problema. O Inep disponibilizou um email ([email protected]) para receber reclamações, e Lopes disse que vai analisar todas as mensagens recebidas até a noite de segunda.
Se os questionamentos sobre as notas se avolumarem, porém, o Inep terá dificuldades de garantir a confiabilidade dos resultados.
Weintraub esteve no Inep na manhã deste sábado (18), gravou um vídeo ao lado de Lopes e o publicou em sua conta no Twitter relatando o problema. Não compareceu, entretanto, na entrevista concedida no final da manhã.
O ministro disse a interlocutores que a realização de um Enem sem problemas sempre foi crucial para sua permanência no cargo. A preocupação se tornou ainda maior quando sua saída da pasta passou a ser defendida por vários aliados do governo --o presidente Jair Bolsonaro, entretanto, garantiu sua permanência até agora.
Ministros do alto escalão do governo indicaram que o Palácio do Planalto não foi informado oficialmente sobre os problemas no Enem. Auxiliares do presidente Bolsonaro disseram ter conhecimento do caso apenas pela imprensa.
A avaliação, tanto de integrantes do governo quanto de parlamentares que acompanham o MEC de perto, é a de que é preciso esperar qual será dimensão do episódio para calcular um possível dano maior a Weintraub.
Ministros próximos a Bolsonaro dizem que o vídeo com alusão ao nazismo que derrubou o secretário de Cultura, Roberto Alvim, elevou o sarrafo dos deslizes que são aceitos pelo presidente. De acordo com essa avaliação, uma eventual demissão do ministro da Educação neste momento só viria se os problemas com o Enem não forem solucionados e atingirem um número muito grande de estudantes.
Os primeiros relatos de problemas com a nota começaram a aparecer na noite de sexta-feira (17), quando o MEC liberou o acesso aos participantes. Candidatos com elevado número de acertos se viram com notas baixas.
Inicialmente, o Inep afirmou que se tratava de reflexo do modelo matemático adotado pelo exame, a TRI (Teoria da Resposta ao Item). Com a TRI, a nota final depende também de quais questões foram anotadas como corretas.
Como os relatos se avolumaram, técnicos do Inep, da gráfica Valid (que passou a imprimir a prova no ano passado) e do consórcio aplicador da prova se debruçaram sobre as bases de dados em busca de inconsistências. O trabalho teria ocorrido ainda durante a madrugada de sábado.
Segundo o instituto, foram constatados erros na identificação dos candidatos e da respectiva cor de sua prova. A falha ocorreu na gráfica: os arquivos com essas informações chegaram ao Inep com divergências. O candidato fez a prova de uma cor, mas, nos arquivos encaminhados ao Inep para o cálculo da nota, a nota era corrigida como se fosse de outra cor.
Quatro casos foram confirmados inicialmente, todos em Viçosa (MG). Servidores do órgão foram convocados a comparecer às 8h do sábado no Inep para trabalhar nessa questão.
Pelas análises iniciais do Inep, o problema pode chegar a 1% dos participantes, o que representa cerca de 39 mil pessoas. Segundo Lopes, a conferência prevê várias etapas, inclusive com checagens manuais.
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