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Reivindicação

Anistia quer acompanhamento externo no caso Marielle Franco

Às vésperas de o crime completar 4 meses, entidade coloca Justiça Criminal em xeque

Publicado em 12 de Julho de 2018 às 11:39

Publicado em 

12 jul 2018 às 11:39
Vereadora Marielle Franco (PSOL) no plenário da Câmara Crédito: Divulgação
Às vésperas de as mortes da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, completarem quatro meses, no próximo sábado, a Anistia Internacional marcou para esta quinta-feira um encontro com os pais da parlamentar. Juntos, eles vão reivindicar o acompanhamento externo das investigações sobre o crime, que ainda está sem solução. Para a entidade, o fato de o caso permanecer em aberto é grave e “demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições do Sistema de Justiça Criminal brasileiro em resolver o caso”.
— Como se sabe, o caso Marielle tem forte indício de envolvimento de agente público. É necessário um mecanismo de acompanhamento externo para que tudo fique claro. A Câmara dos Deputados criou uma comissão para fazer o monitoramento, mas ela não segue todos os itens de independência, porque está inserida num aparato estatal. Além disso, é necessário ter membros com especialização na área, como peritos — explica Renata Neder, Coordenadora de Pesquisa da Anistia Internacional Brasil.
ENTIDADE COBRA RESPOSTAS
De acordo com Renata, países como Honduras e Nicarágua já adotaram acompanhamentos externos para monitorar investigação de crimes.
— Ha vários modelos que podem ser seguidos. Na Nicarágua, por exemplo, adotaram um sistema com peritos independentes, recomendado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que faz parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA) — diz a coordenadora da Anistia, acrescentando que o fato de a investigação estar correndo sob sigilo não impede o acompanhamento externo. — É óbvio que entendemos o sigilo, mas isso não pode significar o total silêncio das autoridades.
Além de cobrar respostas para a pergunta “Quem matou Marielle e Anderson?”, a Anista diz que esse acompanhamento externo poderia ajudar a esclarecer questões que ficaram perdidas ao longo dos últimos quatro meses.
— A própria imprensa divulgou informações sobre o crime que não foram esclarecidas até hoje pelas autoridades. Por exemplo, como ficou a história de a munição usada pelos criminosos pertencer a um lote restrito? Não falaram mais nada sobre isso. E a arma usada, uma submetralhadora também de uso restrito? E as câmeras do local do crime? Foram desligadas na véspera? Todas essas informações, que surgiram logo após as mortes, não foram completamente esclarecidas — disse Renata.
Para a diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, é “fundamental não apenas identificar e responsabilizar os autores dos disparos, mas também os autores intelectuais dos homicídios, bem como a motivação do crime”.

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