Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Brasil
  • Ala intervencionista, exploração de petróleo no rio Amazonas: quem é Magda Chambriard, indicada de Lula para presidente da Petrobras
Troca de comando

Ala intervencionista, exploração de petróleo no rio Amazonas: quem é Magda Chambriard, indicada de Lula para presidente da Petrobras

Disputa entre ministério de Minas e Energia e direção da empresa derrubou o presidente da Petrobras

Publicado em 15 de Maio de 2024 às 08:46

BBC News Brasil

Publicado em 

15 mai 2024 às 08:46
Imagem BBC Brasil
Magda Chambriard foi funcionária de carreira da Petrobras Crédito: Getty Images
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou a engenheira civil Magda Chambriard para assumir a presidência da Petrobras. A engenheira teria aceitado o convite, mas a indicação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da empresa. Ainda não há data para a decisão do Conselho.
Engenheira civil, Chambriard começou a trabalhar na Petrobras em 1980, como estagiária, e ficou por 22 anos. Caso tenha seu nome aprovado, ela será a segunda presidente mulher da história da Petrobras — depois de Maria das Graças Foster, que comandou a empresa entre 2012 e 2015, nos governos Dilma Rousseff.
Entre 2012 e 2016, Chambriard ocupou o cargo de diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ela também fez parte do grupo de transição na área de energia do governo Lula e foi considerada para presidir a PPSA, empresa que administra o pré-sal, mas recusou a oferta.
Chambriard é diretora da Assessoria Fiscal da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro desde abril de 2021 e sócia da empresa Chambriard Engenharia e Energia desde janeiro de 2018. Ela foi coordenadora de pesquisa de óleo e gás da FGV Energia.
A indicação de Chambriard teria partido do ministro de Minas e Energia — que fazia oposição à gestão de Prates na empresa.

'Ala intervencionista', exploração no Amazonas e contra privatização

Segundo analistas políticos, a indicação de Chambriard é vista como uma vitória da chamada "ala intervencionista" do governo — políticos que acreditam que o governo federal deve intervir mais ativamente na gestão da empresa para perseguir objetivos de Estado, em contraponto aos que acham que a Petrobras deveria ser gerida puramente seguindo preceitos de mercado.
A própria queda de Prates foi vista pelo mercado como uma intervenção do governo — o que teve má repercussão no mercado. Na terça-feira (14/5), os papéis PBR, que correspondem às ações ordinárias da Petrobras, chegaram a cair 8% no after market dos Estados Unidos (período de negociação que acontece após o fechamento oficial do mercado).
Sobre questões ambientais, a indicação de Chambriard não deve representar uma mudança radical em relação a Prates. No ponto mais polêmico — que envolve a possibilidade de exploração de petróleo em águas próximas da Amazônia — tanto Chambriard quanto Prates se mostraram a favor.
Magda Chambriard se manifestou recentemente favorável à prospecção de petróleo na foz do rio Amazonas — algo que provocou polêmica no início do terceiro mandato de Lula.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, comandado por Marina Silva (Rede), foram contrários à ideia.
Do outro lado, a favor da proposta, estão o Ministério de Minas e Energia, liderado por Alexandre Silveira (PSD-MG), e a Petrobras — incluindo o demitido Jean Paul Prates (PT-RN).
Imagem BBC Brasil
O quadrado amarelo mais acima no mapa mostra o campo onde seria explorado petróleo na bacia da foz do Amazonas Crédito: IBAMA/DIVULGAÇÃO
Em entrevista no final de abril à revista Brasil Energia, Chambriard — que estava trabalhando como consultora — disse: "Eu acredito que deve ser feita uma concentração de esforços agora em Pelotas e no Parecis [campos no Sul e Centro-Oeste do país]. Mas a gente não pode desistir da Margem Equatorial. Nesse ponto, meu foco é a Foz do Amazonas, pelo tipo de geologia, pelo afastamento da costa, pelas águas profundas e pelo talude mais espesso."
Recentemente Prates também havia feito uma defesa da exploração do petróleo na região.
"Ou vamos para a margem equatorial ou voltamos a importar combustíveis de outros países", disse ele no mês passado.
A foz do Amazonas é o local em que o famoso rio da Região Norte deságua no mar. Ela faz parte de uma região conhecida como Margem Equatorial Brasileira, que se estende do Amapá até o Rio Grande do Norte.
A Petrobras tem interesse em estudar o potencial da exploração de petróleo nesse local — a empresa estima que seja possível retirar 14 bilhões de barris do combustível fóssil dali.
Porém, antes de iniciar qualquer empreendimento do tipo, é necessário obter um licenciamento ambiental exigido por lei.
Quando o projeto envolve o mar territorial do país, o órgão responsável por emitir esse documento é o Ibama.
A Petrobras pediu um licenciamento para estudar a possibilidade de exploração de petróleo num bloco específico — o FZA-M-59.
O pedido foi negado após um parecer emitido por técnicos do Ibama apontar "incosistências técnicas" no pedido.
Para o projeto avançar, a Petrobras precisa desse licenciamento ambiental. Neste momento, a empresa está investindo em pesquisar mais sobre as características da Foz do Amazonas.
Em entrevista para a Reuters no ano passado, Chambriard disse que caberia a Lula resolver o impasse — e que as questões técnicas sobre a exploração da Foz do Amazonas já teriam sido "esgotadas".
"Esse impasse, onde uma parte do governo quer e outra parte não quer, quem tem que definir é o presidente da República. Chegamos a um ponto que quem tem que definir isso e ser o fiel da balança foi quem teve 60 milhões de votos", disse ela à Reuters.
Na mesma entrevista, ela defendeu a exploração de novas fronteiras como o Rio Amazonas, argumentando que os recursos do pré-sal — grandes reservas descobertas pela Petrobras há duas décadas em camadas profundas do solo do mar — não são "infinitos".
Imagem BBC Brasil
Indicação de Chambriard seria uma vitória de "intervencionistas" dentro da Petrobras Crédito: AFP
"Se o governo brasileiro pretende uma estatal forte, não pode abrir mão da continuidade exploratória das fronteiras relevantes para o país. Do contrário, você esgota um player importante em 20 anos e depois disso o que faz com a Petrobras, que está sendo uma empresa prioritariamente de E&P (exploração e produção)?"
Em relação à privatização de operações da Petrobras — algo que foi cogitado no governo de Jair Bolsonaro — Chambriard se mostrou cética.
"A gente quer que as multinacionais venham para cá. Isso é essencial nesse momento, já que temos diversos municípios afundando com falta de investimentos e com ativos que poderiam ser aproveitados", disse ela à BBC News Brasil em 2021, em entrevista para a BBC News Brasil.
"Mas, se essas companhias estrangeiras vierem para cá para comprar tudo no exterior, produzir o petróleo, pagar imposto e ir embora, não obteremos o resultado que um país tem de querer, que é gerar emprego para os seus filhos."
Ela defendeu a adoção de políticas que favoreçam a compra de componentes nacionais e o uso de mão-de-obra brasileira.

Demissão de Prates: lucros da Petrobras e desgates

A demissão de Prates ocorreu em uma reunião onde estavam presentes pessoalmente o presidente Lula, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
À reportagem da BBC News Brasil, a empresa confirmou a demissão e disse, em nota:
"A Petrobras informa que recebeu nesta noite de seu Presidente, Sr. Jean Paul Prates, solicitação de que o Conselho de Administração da Companhia se reúna para apreciar o encerramento antecipado de seu mandato como Presidente da Petrobras de forma negociada. Adicionalmente, o Sr. Jean Paul informou que, se e uma vez aprovado o encerramento indicado, ele pretende posteriormente apresentar sua renúncia ao cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobras. Fatos julgados relevantes serão tempestivamente divulgados ao mercado."
A demissão de Prates é interpretada como uma reação à decisão da Petrobras de aumentar significativamente a distribuição de dividendos aos acionistas, o que gerou debates intensos.
Imagem BBC Brasil
Jean Paul Prates caiu após meses de desgaste com o governo federal Crédito: Getty Images
Nos anos de 2022 e 2023, a empresa se destacou como a maior pagadora de dividendos do mundo, desembolsando um total de US$ 57,6 bilhões.
Segundo apuração da GloboNews, quando Prates discordou da orientação governamental e se absteve na votação, sua posição não foi bem recebida no Palácio do Planalto.
O pagamento de dividendos altos pela empresa divide opiniões.
De um lado, parte do governo e grupos que defendem o papel central da estatal no desenvolvimento do país querem que a empresa reduza o pagamento aos acionistas para ampliar seus investimentos, por exemplo, com a construção de novas refinarias (unidades que transformam óleo bruto em combustíveis) e fontes alternativas de energia.
De outro lado, analistas de mercado e acionistas da empresa defendem que a empresa mantenha o alto patamar de distribuição de dividendos, o que torna suas ações mais atrativas. Eles argumentam que a empresa já tem um nível elevado de investimentos e que certos projetos de interesse do governo, como as refinarias, não seriam lucrativos.
Em meio a essa disputa, os acionistas da empresa aprovaram, no dia 25 de abril, a distribuição de R$ 21,95 bilhões em dividendos extraordinários, referentes aos lucros de 2023.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva havia tentado bloquear a liberação desses recursos em março.
Os dividendos extraordinários são aqueles pagos além do mínimo previsto em regras de mercado e da própria empresa. A Petrobras já havia anunciado um total de R$ 72,4 bilhões em dividendo ordinários referentes aos ganhos de 2023, parte dos quais já foi paga no ano passado.
A aprovação do pagamento extra em abril refletiu um recuo do Palácio do Planalto após as ações da estatal levarem um tombo de 10% em um dia, no mês passado, devido à insatisfação do mercado com a decisão inicial.
Embora a Petrobras seja uma companhia de capital aberto, a União mantém controle acionário da empresa e, por isso, é determinante na decisão de liberação desses recursos.
A mudança de rumo, no entanto, ainda teve um lado positivo para o governo.
Como maior acionista da Petrobras, a União deve receber R$ 6 bilhões dos dividendos extras liberados, valor que pode contribuir para reduzir o rombo nas contas federais.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Brasil diz ter convocado diplomata argentina para cobrar explicações sobre viagem de Flávio Bolsonaro
Macário Júdice Neto está preso desde dezembro
Macário Júdice é solto com uso de tornozeleira após quase um ano de prisão
Compra on-line; Black Friday; e-commerce; compra virtual; comércio eletrônico
O consumidor mudou mais nos últimos cinco anos do que nas duas décadas anteriores

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.