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Opinião da GAZETA

Blocos de carnaval: organizar não significa sacrificar a folia

Não é por ser carnaval que tudo poder correr solto: administração municipal e blocos têm responsabilidades compartilhadas para garantir segurança e infraestrutura aos foliões

Publicado em 19 de Fevereiro de 2018 às 20:39

Públicado em 

19 fev 2018 às 20:39

Colunista

Bloco pós-carnaval realizado no Triângulo das Bermudas, em Vitória, não tinha autorização da prefeitura Crédito: Carlos Alberto Silva
Propor que se coloque ordem no carnaval pode parecer um disparate pela própria anarquia saudável que ronda os dias de folia. Mas não tem jeito: para que a festa ocorra sem problemas, a organização deve ser uma prioridade. Minuciosa. O carnaval cresce a cada ano na Grande Vitória, o que é uma excelente notícia, com as cidades oferecendo diversão nas ruas para todos. Ao mesmo tempo, é uma situação que exigirá cada vez mais a colaboração entre as prefeituras e os blocos, que precisam estar alinhados, de mãos dadas.
O que se viu no sábado na Praia do Canto foi justamente um episódio no qual essas duas partes soltaram as mãos e se perderam no meio da multidão. Um desencontro que resultou em bagunça. Blocos não autorizados levaram milhares de foliões ao Triângulo, deixando um rastro de sujeira e danos aos patrimônios público e privado na região. Sem falar no incômodo aos moradores com o som alto sem hora para ser silenciado.
Não é, de forma alguma, o caso de vetar que blocos se mobilizem e saiam às ruas no período. Cidades com pouca tradição carnavalesca, como Belo Horizonte e São Paulo, estão aí para provar que a folia não está mais restrita aos seus recantos tradicionais, como Salvador, Recife e Rio. Todos querem aproveitar, e Vitória não pode ser exceção.
Contudo, ainda há uma distância de um ponto de equilíbrio que permita uma convivência pacífica entre foliões e moradores. O cadastramento dos blocos é obrigatório, mas é preciso um maior controle sobre aqueles que mobilizam milhares de pessoas nas redes sociais sem estarem legalizados. As prefeituras não podem ser as últimas a saber, a inteligência municipal precisa funcionar.
Além das questões de segurança de primeira ordem, é preciso que exista a mínima infraestrutura, como banheiros químicos. E talvez o mais importante hoje seja determinar quais ruas ou avenidas são capazes de abrigar os blocos com mais segurança e menos problemas para o trânsito, seguindo rigidamente horários preestabelecidos. Organizando, todo mundo curte o carnaval. Ou descansa, se assim preferir.

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