A crise política piorou. O novo cerco a Temer deixa dúvida se ele concluirá o mandato. Mas, como o Brasil é um país muito diferente do padrão dominante, isso por enquanto não tem impedido o fluir de boas notícias na economia. Especialmente no setor produtivo e em relação aos juros, cujas quedas são relevantes na volta do crescimento pela via mais rápida, o consumo.
Duas informações se destacaram nos últimos dias. Uma, é a reação da produtividade. Depois de cair 6,45% nos últimos seis anos (e levar muitas empresas ineficientes à falência), o indicador deve crescer 0,5% em 2018, segundo projeção da Consultoria Tendências. A que se deve esse avanço? Às empresas que investiram para sair da crise melhor do que entraram. Produtividade é questão de vida ou morte empresarial. E se reflete no bolsa da sociedade, ajudando a conter a inflação.
Outro fato marcante é visto na política monetária. A parcela do compulsório sobre depósitos à vista que as instituições financeiras são obrigadas a recolher ao Banco Central foi reduzida de 40% para 25%. Com isso, os cofres bancários têm mais R$ 25,7 bilhões para emprestar – o que no momento é providencial devido ao ritmo de evolução do PIB abaixo do esperado.
Compulsório mais magro é medida estrutural importante, dentre outras que podem ser tomadas, para diminuir os spreads (diferença entre quanto o banco paga para captar e o que cobra para emprestar). Cria esperança, embora tênue, de juros um pouco menores para o consumidor, mas isso dependerá de como vai se comportar a economia.
O cenário também convida a um olhar na inflação. O índice saiu de 10,7% no fim de 2015 para 2,95% em 2017 (abaixo do limite inferior de tolerância, 3,0%) e a expectativa para 2018 está em 3,6%, em função de maior demanda. Muitos acham que a meta de 4,5% para o IPCA já deveria ter sido reduzida sinalizando compromisso de longo prazo. No entanto, vale lembrar que a manutenção da inflação e dos juros baixos exige reformas de natureza fiscal. E isso, por enquanto, é incerto. Será definido pelo resultado das eleições.
Se não se sabe que rumo tomará gestão fiscal, fica difícil calcular as trajetórias do câmbio, da inflação e dos juros. Temos muita responsabilidade na escolha de quem votar.
*O autor é jornalista