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Jace Theodoro

As urnas se vingaram da arrogância dos candidatos

A soberba, pecado capital, é mãe da arrogância e serviu colherinhas de veneno a alguns candidatos

Publicado em 11 de Outubro de 2018 às 19:42

Públicado em 

11 out 2018 às 19:42
Jace Theodoro

Colunista

Jace Theodoro

A punição das urnas Crédito: Amarildo
O detetive me pede o retrato falado do arrogante. Com pouco talento pra me lembrar de feições, o da arrogância tem traços inesquecíveis porque são comuns a todos os que fazem carreira com altivez sem medida. Desenha aí, moço: nariz esticado pro alto, queixo duro acompanhando a metidez das narinas, testa voltada pro céu como quem mira o pássaro a ser abatido e, no olhar, a raiva de senhor do reino celestial.
Pois foi ela, a arrogância, que mostrou sua roda dentada nessas eleições e deu o tom do discurso de políticos se achando por cima da carne seca do eleitor. A resposta foi um toco nas urnas de fazer a vaidade sair catando coquinho pelo asfalto cheio de santinhos. A soberba, pecado capital, é mãe da arrogância e serviu colherinhas de veneno a alguns candidatos. Engoliram o líquido pensando ser a cura pra vitória, mas estão até agora no banheiro chamando o Raul.
Arrogantes não medem o tamanho dos passos que podem dar porque imaginam ter o infinito. Se os fins justificam os meios, nada os impede de incendiar a casa do vizinho
Perderam. Dilma, Romero Jucá e Magno Malta são a trinca representante de tantos com o mesmo comportamento. Malta, em campanha, rebateu críticas de pastores (seus eleitores potenciais) com a frase “quem fala mal de mim é pedófilo ou traficante”. Sem pedir desculpas pela dimensão da ofensa, a flecha da arrogância começava a atingir o coração das urnas, a vitória que dava como certa. Certeiros foram seus tiros no próprio pé.
O palco político é tablado em três por quatro para a arrogância. O tipo de cena em que o poder com foro privilegiado dá aval para toda espécie de atores - canastrões são maioria. Ela também ganha corpo nas pequenas autoridades, as que agem com um tipo de humildade de quem se acha sobre o topo do mundo, não por talento, só vaidade mesmo. Gente que exerce autoridade no andar de baixo sem consentimento superior para tal.
Arrogantes não medem o tamanho dos passos que podem dar porque imaginam ter o infinito. Se os fins justificam os meios, nada os impede de incendiar a casa do vizinho. Só esquecem que a vida é retorno, ações impulsionando reações, a hora do troco. E a dívida da soberba pode estar alta demais para uma conta-corrente em baixa. Periga o cavalo arreado não passar pela segunda vez.

Jace Theodoro

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