As instituições do regime democrático no Brasil são sólidas o bastante para não se intimidar nem deixar florescer a incitação à desobediência civil, bradada nos últimos dias pelo PT, por afoitos agitadores e pelo próprio Lula.
A virulência da reação à sentença condenatória ultrapassou os limites do direito de espernear. A decisão unânime dos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região pautou-se estritamente dentro da legalidade. E, conforme análise de renomados juristas, mostrou-se rigorosamente técnica, isenta de injunção política. Assim, desconstruiu argumentos da defesa lulista, usados com prepotência e agressividade contra juízes do processo e o próprio Judiciário. Essa foi uma vergonha à parte.
Mas o tom bélico continua. Falta responsabilidade cívica e sobra leviandade na citação de Lula que aponta “a construção de um pacto entre o Judiciário e a mídia” para prejudicá-lo. Da mesma forma, é inaceitável o arroubo da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ao rotular de “farsa” o julgamento.
Outra afirmação deplorável da dirigente partidária refere-se a “matar gente” para cumprir eventual pedido de prisão do chefão petista. Está em linha com o radicalismo manifestado pelo coordenador do MST, João Pedro Stedile, ao dizer que “impediremos de todo jeito que Lula seja preso” – o que é improvável. São intenções de intimidar instituições, tal como a predição de paralisação das ruas feita pelo senador Lindbergh Farias, em razão da condenação. A postura de enfrentamento é um desserviço ao país.
O Brasil e o mundo testemunharam um julgamento exemplar que confirmou a condenação do ex-presidente e ampliou a pena para 12 anos e um mês de prisão, em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi uma vitória da República, mas é preciso estar sempre atento às maquinações de retrocesso.