A mais importante escolha que os eleitores brasileiros farão em outubro não é a eleição do novo presidente da República. A mais importante escolha será decidir se a Operação Lava Jato deve continuar ou não.
É evidente que uma coisa não está dissociada da outra, ou seja, a eleição de um candidato a presidente – ou a qualquer outro cargo que esteja em disputa nas eleições – contrário à Lava Jato representará, sem dúvida, um voto contra aquela que é a maior iniciativa contra a corrupção da nossa história. E a corrupção, como bem diz o ministro Luís Roberto Barroso, no Brasil, “não é um caso isolado, é generalizada e cria uma cultura de desonestidade” que precisa ser extirpada.
Como 95% dos brasileiros são favoráveis à continuidade da Lava Jato, conforme apurou recente pesquisa do Instituto Ipsos, a questão que se coloca é como o eleitor poderá identificar os inimigos da Lava Jato para desconsiderá-los na hora de escolher em quem votar.
A tarefa não é simples porque os políticos são hábeis na tarefa de confundir a opinião pública. Publicamente, se dizem favoráveis à Lava Jato, mas, nos bastidores, manobram para esvaziá-la. Exemplo recente é a iniciativa de um grupo de deputados de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar “possíveis manipulações” em delações premiadas, também chamada de “CPI das Delações” ou “CPI da Lava Jato”. A repercussão da iniciativa foi tão negativa que boa parte dos parlamentares retirou o apoio à proposta.
Mas não é só entre os políticos que surgem reações contrárias à Lava Jato. A pressão que alguns ministros do STF têm feito buscando pôr fim à prisão após a condenação em segunda instância demonstra que até o Judiciário tem se prestado a dar guarida às teses dos que sonham em perpetuar a impunidade. Citando novamente o ministro Barroso, a execução penal após a condenação por um tribunal em segunda instância existe “no mundo inteiro” e “esta cultura de o processo levar dez, 20 anos, até prescrever é uma vergonha, é um terceiro mundismo explícito que precisamos derrotar”.
E mesmo estando em plena vigência a jurisprudência da prisão após a condenação em segunda instância, há ministros que, em decisão monocrática, têm dado liberdade a condenados, explicitando uma divisão que desmerece o Judiciário e fragiliza a Lava Jato. Não é sem razão que o procurador Carlos Fernando da Silva Lima diz que todos os que atuam na Lava Jato estão “na linha de tiro, com a cabeça a prêmio”.
Mais do que escolher candidatos ou partidos, os brasileiros irão decidir, nas próximas eleições, se de fato desejam ou não um Brasil sem corrupção.