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Tatiana Bello

Artigo de Opinião

É gerente de Implementação do Itaú Social
Tatiana Bello

Uma mochila mais pesada para os professores

Esses profissionais têm extrapolado o papel de ensinar; eles estão apoiando os alunos psicologicamente e, até mesmo, em relação a questões de segurança alimentar
Tatiana Bello
É gerente de Implementação do Itaú Social

Publicado em 07 de Dezembro de 2022 às 12:33

Publicado em 

07 dez 2022 às 12:33
A pandemia lançou novos olhares e desafios para a atuação de professoras e professores. Esses profissionais tiveram de se reinventar para ministrar suas aulas remotamente e se esforçaram ao máximo para minimizar o impacto do fechamento das escolas - segundo relatório da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil foi o país que por mais tempo esteve com as escolas fechadas. Porém, os desafios não pararam com o retorno às salas de aula.
Devido às enormes diferenças socioeconômicas, nem todos os estudantes tiveram o mesmo acesso às atividades remotas e, por isso, hoje constata-se uma grande defasagem de aprendizado em uma única sala de aula. Para recuperar o que foi perdido – ou sequer aprendido -, docentes estão aumentando seus esforços para cumprir os planos pedagógicos.
O quadro é grave: 34% das crianças no 2º ano do ensino fundamental não sabiam ler e escrever em 2021, mais do que o dobro do que em 2019, de acordo com o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Importante destacar que a recuperação do aprendizado não depende somente dos professores. As redes de ensino precisam oferecer apoio didático e pedagógico, além de estratégias de diagnóstico dos aprendizados e busca ativa dos alunos que estão fora da escola.
Além da desigualdade educacional, os professores estão lidando com outro desafio que transcende o ato de ensinar. Pesquisa do Datafolha, realizada a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) no primeiro semestre deste ano, apontou que a maior dificuldade dos estudantes no retorno às aulas presenciais diz respeito a questões emocionais Muitos responsáveis afirmaram que os alunos estão tendo crises de ansiedade em sala de aula.
Educação; escola; crianças; sala de aula
Alunos precisam de cada vez mais apoio para questões externas à escola Crédito: Eugene Barmin/Freepik
A professora Indianara Nogueira, de Campo Grande (MS), faz uma analogia ao explicar a necessidade de enfrentar as defasagens somadas às dificuldades socioemocionais dos seus alunos: “É como se agora eu fosse trabalhar com uma mochila muito mais pesada”. Os professores têm extrapolado o papel de ensinar; eles estão apoiando os alunos psicologicamente e, até mesmo, em relação a questões de segurança alimentar.
Enquanto os docentes sentem que suas atribuições só aumentam, relatório da Education at Glance 2021, da OCDE, mostrou que os professores dos anos finais do ensino fundamental recebem o menor salário entre 40 países. No Brasil, a média é de US$ 13,9 mil por ano, enquanto nos países membros e parceiros da OCDE analisados é de US$ 35,6 mil.
A melhoria da educação pública passa necessariamente pela valorização dos professores. Um estudo do Movimento Profissão Docente sobre os planos de carreira e salários, divulgado em setembro, demonstra que, embora tenha registrado uma melhoria dos valores, há uma curta – ou nenhuma – distância entre o salário pago aos iniciantes e àqueles já experientes, no topo da carreira.
Além de deixar mais atrativa a carreira para futuros profissionais, é preciso oferecer boas condições de trabalho para que o professor possa se preparar para as aulas e investir na sua formação continuada, conforme assegura a Lei 11.738/2008 (um terço da jornada de trabalho destinado para atividades extraclasse). O ideal seria que cada professor fosse vinculado a apenas uma escola, mas, no país, apenas 43% dos docentes do segundo ciclo do ensino fundamental tinham contratos de tempo integral em 2018; 20% trabalhavam em várias escolas (OCDE).
Ao garantir uma carreira mais atrativa e boas condições de trabalho, torna-se possível o investimento dos professores em formação continuada e, consequentemente, na melhoria da qualidade do aprendizado para as crianças e adolescentes. Durante a pandemia, 71% das famílias brasileiras passaram a valorizar mais o trabalho dos docentes (Datafolha/setembro 2021). O reconhecimento da profissão pela sociedade deve ser traduzido como prioridade máxima para os próximos governantes e legisladores para elevar a qualidade da educação pública do país.
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