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Bruno Milhorato Barbosa

Artigo de Opinião

É advogado trabalhista, sócio-fundador da Fabretti & Milhorato Advogados, pós-graduado em Direito do Trabalho pela FDV, membro do GPMAT/USP
Bruno Milhorato Barbosa

Trabalho invisível da mulher: guarda compartilhada também é um exemplo

É importante salientar que a desigualdade na divisão do trabalho “invisível” tem grande peso nas carreiras das mulheres, sendo muitas vezes um teto de vidro na ascensão profissional, principalmente quando se fala em cargos de liderança
Bruno Milhorato Barbosa
É advogado trabalhista, sócio-fundador da Fabretti & Milhorato Advogados, pós-graduado em Direito do Trabalho pela FDV, membro do GPMAT/USP

Publicado em 07 de Novembro de 2023 às 11:36

Publicado em 

07 nov 2023 às 11:36
O tema da redação do Enem-2023 foi: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil".  Colocar esse assunto em evidência em todo o país gera um efeito positivo extra Enem, visto que os dados da Pnad Contínua confirmam, ano após ano, que as mulheres desempenham três vezes mais os trabalhos “invisíveis” - afazeres domésticos, cuidado, proteção e educação dos filhos.
Em meu livro "Extensão da Garantia Provisória do Emprego ao Cônjuge Não Gestante", destaquei que o Estado e os homens se mantêm omissos, convenientemente, o que contribui para a manutenção do modelo sociocultural de responsabilização das mulheres pelo trabalho “invisível”.
Vale destacar que o “invisível” trabalho das mulheres não se restringe aos afazeres domésticos, cuidados dos filhos e idoso da família, mas também inclui o trabalho voluntário, majoritariamente exercido por elas.
Muito se fala em equidade salarial entre homens e mulheres, que é um grande problema, mas no debate desse tema quase nunca se contabiliza o “invisível” trabalho da “segunda jornada”, que muitas vezes é utilizado exatamente para depreciar o valor do trabalho da mulher, não raramente de forma discriminatória.
É importante salientar que a desigualdade na divisão do trabalho “invisível” tem grande peso nas carreiras das mulheres, sendo muitas vezes um teto de vidro na ascensão profissional, principalmente quando se fala em cargos de liderança.
Aliás, muitas vezes se atribui a falta de equidade na divisão das responsabilidades a uma “toxicidade masculina”, quando o modelo patriarcal secular não foi criado pela geração atual. Sendo que, geração após geração, somos condicionados pelas normas de gênero do que é papel da mulher e do homem, recebendo tais normas desde criança.
Som; barulho; música; mulher sozinha
Mulher exausta Crédito: Freepik
De modo que não só os homens são responsáveis pela manutenção (ou lenta evolução) do modelo sociocultural vigente, existindo uma grande falha nas políticas públicas, muitas vezes transformadas em leis que contribuem para manter as responsabilidade do trabalho “invisível” sobre as mulheres.
Cito como exemplo a atual guarda compartilhada, que na maioria das vezes não distribui igualmente as responsabilidades de cuidado, proteção e educação dos filhos, gerando uma espécie de mais-valia para o homem que exerce a guarda compartilhada. Uma vez que a mulher executa o trabalho “invisível” da guarda compartilhada sem qualquer contrapartida e, não raramente, com abdicações de ascensão profissional em prol de conseguir cumprir sua dupla jornada.
A desconstrução desse modelo patriarcal necessita menos de uma polarização dos gêneros e mais de união dos gêneros em prol do desenvolvimento e conscientização de que homens e mulheres possuem mesmos direitos e, principalmente, mesmos deveres, havendo necessária redistribuição equânime do trabalho invisível, cuja educação tem primordial relevância no recondicionamento das normas de gênero.
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