O Espírito Santo tem uma das histórias mais consistentes do Brasil quando o assunto é saneamento básico. Não é coincidência. É o resultado de uma escolha — a de tratar o saneamento como o que ele verdadeiramente é: um dos investimentos de maior retorno que uma sociedade pode fazer.
Existe um dado que gosto de repetir porque ele sintetiza bem essa lógica: cada real investido em saneamento gera quatro reais de economia na área de saúde. Não é uma projeção otimista. É o que a Organização Mundial da Saúde calcula com base em evidências concretas de países e cidades que fizeram essa escolha antes de nós.
O Espírito Santo está fazendo essa escolha agora, com consistência. O Ranking do Saneamento 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil com dados de 2024, colocou Vila Velha na 4ª posição nacional em investimento per capita entre os 100 municípios mais populosos do Brasil — R$ 326,33 por habitante, acima do patamar considerado necessário para a universalização. Cariacica está na 16ª posição, com R$ 223,77 por habitante, e foi uma das cidades com maior salto no ranking: 11 posições em um único ciclo. A média nacional é de R$ 103,16.
Esses números não são abstratos. Eles se traduzem em empresas que escolhem instalar-se em municípios com infraestrutura de saneamento adequada. Em trabalhadores que faltam menos porque adoecem menos. Em crianças que frequentam a escola com regularidade porque não estão acometidas por diarreias e verminoses. Em imóveis que se valorizam. Em rios que voltam a ser rios.
Na Serra, a cobertura de esgoto saiu de 58% para mais de 90% em uma década de parceria público-privada com a Cesan. O município entrou para o grupo das 60 cidades brasileiras com mais de 90% de esgotamento sanitário — um clube restrito num país onde menos da metade do esgoto produzido ainda recebe tratamento adequado.
O Espírito Santo já entendeu isso. O desafio agora é que toda a sociedade capixaba — lideranças, empresários, gestores públicos e cidadãos — reconheça o saneamento pelo que ele é: não pauta técnica de engenheiros, mas pauta de desenvolvimento, de competitividade e de futuro.
O Espírito Santo já entendeu isso. O desafio agora é que toda a sociedade capixaba se torne parte ativa dessa construção.