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Thaísa Durso

Artigo de Opinião

É especialista em Finanças Pessoais da Rico Investimentos
Thaísa Durso

Quanto guardar para o dinheiro não acabar na aposentadoria?

A aposentadoria é um processo de acumulação, transição e utilização dos recursos
Thaísa Durso
É especialista em Finanças Pessoais da Rico Investimentos

Publicado em 02 de Outubro de 2026 às 10:00

Publicado em 

02 out 2026 às 10:00

O Dia Internacional da Pessoa Idosa reforça que planejamento financeiro também é planejamento familiar. Uma aposentadoria bem estruturada contribui para preservar autonomia, liberdade de escolha e segurança financeira, além de reduzir a possibilidade de transferir responsabilidades para filhos e netos. A pergunta “quanto preciso ter para me aposentar?” costuma vir acompanhada de outra, ainda mais importante: por quanto tempo esse dinheiro precisará durar?


Com o aumento da longevidade, planejar a aposentadoria deixou de ser apenas uma questão de acumular patrimônio. É preciso transformar esse dinheiro em uma renda capaz de sustentar o padrão de vida por 25, 30 anos ou mais.


Os dados mostram que essa conta ainda não está fechada. Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro (Anbima/Datafolha, 2025), 60% dos brasileiros que ainda não se aposentaram esperam viver da previdência pública e apenas 16% dizem guardar dinheiro especificamente para a aposentadoria. Entre os aposentados, 93% dependem do INSS.

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A boa notícia é que o planejamento pode ser organizado a partir de cinco perguntas.


1. Quanto faltará por mês? O primeiro número não é o patrimônio, mas a renda desejada. É preciso estimar quanto custará o padrão de vida na aposentadoria e descontar receitas previstas, como INSS, aluguéis e pensões. Se a meta for R$ 5 mil mensais e o INSS representar R$ 2 mil, os investimentos precisarão complementar R$ 3 mil. A conta deve considerar também despesas que podem crescer com a idade, especialmente saúde, medicamentos e cuidados de longo prazo.


2. Qual será o retorno real? Planejar décadas com base na rentabilidade atual dos investimentos é arriscado. O cálculo deve considerar o retorno real líquido, descontando inflação, impostos e custos. O objetivo não é acumular mais reais, mas preservar o poder de compra. Por isso, projeções de longo prazo precisam trabalhar com premissas conservadoras. Rentabilidade futura é estimativa, não promessa.


3. Quanto do patrimônio será consumido? Há quem queira preservar o capital e retirar apenas parte dos rendimentos. Outros preferem utilizar também o patrimônio ao longo dos anos. A escolha depende dos objetivos, do prazo e da necessidade de deixar recursos para herdeiros ou manter uma reserva. Preservar integralmente o patrimônio exige, em geral, uma acumulação maior do que planejar seu consumo gradual.


4. Como lidar com a longevidade? Uma aposentadoria pode durar três décadas ou mais. Por isso, o planejamento deve considerar uma vida mais longa e períodos de oscilação dos mercados. Diversificação, liquidez e revisões periódicas ajudam a reduzir o risco de precisar vender investimentos em momentos desfavoráveis.

Aposentadoria Reprodução

5. Qual função terá cada parte do dinheiro? A estratégia não precisa depender de um único produto. É possível separar recursos para emergência, proteção contra a inflação, crescimento e sucessão. O Tesouro RendA+, por exemplo, foi criado para oferecer renda mensal corrigida pela inflação durante 20 anos, a partir da data de conversão escolhida.

 

Já a previdência privada pode oferecer características tributárias e sucessórias específicas, além de permitir portabilidade entre planos sem resgate dos recursos.

Nenhum produto, porém, resolve sozinho o planejamento da aposentadoria. 


No fim, a pergunta “quanto preciso guardar?” passa por cinco pontos: quanto será necessário por mês, quais receitas estarão disponíveis, por quanto tempo a renda será necessária, qual retorno real é razoável esperar e quanto do patrimônio se deseja preservar.


A aposentadoria é um processo de acumulação, transição e utilização dos recursos. Renda, despesas, família e condições econômicas mudam, e o plano precisa acompanhar essas transformações. No fim, viver mais é uma conquista. O desafio é fazer com que as finanças acompanhem essa conquista durante todo o caminho.

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