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Paulo Baraona

Artigo de Opinião

É presidente da Findes e coordenador do Fórum de Entidades e Federações (FEF)
Paulo Baraona

Política industrial também se constrói nas urnas

Temos condições de consolidar o Espírito Santo como um estado mais competitivo, inovador e conectado à nova economia
Paulo Baraona
É presidente da Findes e coordenador do Fórum de Entidades e Federações (FEF)

Publicado em 03 de Setembro de 2026 às 15:29

Publicado em 

03 set 2026 às 15:29

O Espírito Santo não pode tratar o desenvolvimento industrial como consequência natural dos investimentos que chegam. Atrair empresas é importante, mas não suficiente. Precisamos ter clareza sobre qual indústria queremos construir para as próximas décadas, a partir das nossas vocações, vantagens competitivas e oportunidades de futuro.


Isso exige planejamento para definir quais cadeias queremos fortalecer e quais empreendimentos, especialmente os de maior valor agregado, podem impulsionar um desenvolvimento mais diversificado e sustentável. E exige criar condições para que esses investimentos se transformem em valor enraizado no território: empregos qualificados, fornecedores mais competitivos, inovação, renda e novas oportunidades de negócios.


Em um momento de escolha dos nossos representantes, essa é uma discussão que deve estar no centro da agenda de desenvolvimento do Espírito Santo.

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Chegamos a 2026 em posição favorável. Temos equilíbrio fiscal, ambiente institucional organizado, localização estratégica e cadeias produtivas consolidadas. A indústria representa 28,5% do PIB capixaba, reúne mais de 21 mil empresas e gera cerca de 280 mil empregos formais. É uma força econômica que precisa ser priorizada nas decisões sobre o futuro do Estado.


Essa discussão ganha ainda mais relevância diante da reforma tributária. A adoção gradual do princípio do destino na tributação sobre o consumo muda a lógica de competição entre os estados e reduz, ao longo do tempo, o peso de instrumentos tributários historicamente utilizados para atrair empreendimentos. 


Nesse cenário, ganham importância as vantagens reais que um território oferece para quem decide produzir e investir: infraestrutura, logística, capital humano, inovação, segurança jurídica, agilidade regulatória e qualidade do ambiente de negócios.


O Espírito Santo precisa estar preparado para atrair, manter e ampliar atividades produtivas alinhadas à estratégia que queremos para o Estado. Isso significa criar condições para que empresas que já estão aqui invistam mais, fornecedores capixabas cresçam e novos empreendimentos encontrem razões para instalar aqui também etapas de maior valor agregado de suas cadeias produtivas.


Uma indústria de grande porte, por exemplo, movimenta logística, tecnologia, manutenção, engenharia, serviços especializados, educação e uma extensa rede de fornecedores. 


Quanto mais preparada estiver a economia capixaba para atender a essas demandas, maior será a parcela da riqueza que permanecerá no Estado. Sem planejamento e coordenação, podemos receber grandes investimentos sem capturar todo o desenvolvimento que eles têm potencial de gerar.


É com esse olhar que a Findes produziu a Agenda da Indústria Capixaba 2026. O documento reúne 65 propostas construídas com sindicatos, câmaras setoriais, conselhos temáticos e empresas, em seis temas: capital humano, financiamento, infraestrutura, inovação, meio ambiente e tributação.


Esse esforço se soma à Agenda do Setor Produtivo, elaborada pelo Fórum de Entidades e Federações (FEF) no âmbito do Ciclo Eleitoral 2026.  As duas iniciativas partem de diferentes perspectivas, mas convergem em um propósito: apresentar às futuras lideranças políticas os desafios de quem produz e caminhos para tornar o Espírito Santo mais competitivo, gerar oportunidades e sustentar seu desenvolvimento no longo prazo.


Política industrial é, em grande medida, construída no âmbito nacional. Decisões sobre tributação, comércio exterior, financiamento, energia, inovação, infraestrutura e marcos regulatórios tomadas em Brasília têm impacto direto sobre a competitividade da indústria.


Isso torna decisivas tanto a escolha de quem conduzirá o país quanto a atuação dos deputados federais e senadores que representarão o Espírito Santo no Congresso Nacional.

Trabalhador em indústria metalúrgica Reprodução

Mas política industrial também precisa estar presente na estratégia estadual. O Governo do Estado e a Assembleia Legislativa tomam decisões capazes de melhorar o ambiente de negócios, desenvolver infraestrutura, qualificar pessoas, estimular inovação e fortalecer as vocações produtivas capixabas. É nessa combinação entre uma política nacional consistente e escolhas estaduais bem orientadas que podemos construir um ambiente mais favorável à indústria.


Por isso, o ciclo eleitoral é também um momento para discutir desenvolvimento. Estamos escolhendo o presidente da República, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. 


A escolha de quem conduzirá o país é especialmente relevante para os rumos da política industrial nacional, assim como cada uma das demais lideranças, dentro de suas atribuições, terá responsabilidade sobre as condições em que o Espírito Santo irá produzir, investir e competir nos próximos anos. Todas precisam assumir compromisso com uma agenda que ultrapasse o calendário eleitoral e tenha visão de médio e longo prazo.


Temos condições de consolidar o Espírito Santo como um estado mais competitivo, inovador e conectado à nova economia. Mas vale destacar que o desenvolvimento que teremos amanhã começa pela capacidade de definir, hoje, onde queremos chegar. Essa é uma escolha que passa pela indústria, pelas políticas públicas e também pelas lideranças que escolheremos nas urnas.

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