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Paulo Henrique Cordeiro

Artigo de Opinião

É ministro do Esporte
Paulo Henrique Cordeiro

Pioneiras do futebol: reconhecimento histórico, justo e necessário

Nosso compromisso é garantir que os benefícios da Copa permaneçam no país muito depois do apito final, é garantir o legado social e esportivo que estamos construindo
Paulo Henrique Cordeiro
É ministro do Esporte

Publicado em 04 de Junho de 2026 às 10:00

Publicado em 

04 jun 2026 às 10:00

O Brasil sempre figurou no imaginário popular como o “país do futebol”. O hábito de controlar uma bola com os pés, entretanto, vem de um tempo bem mais distante. Registros históricos nos contam que militares chineses já disputavam um jogo que seria o precursor do que hoje chamamos “futebol”, mais de dois mil anos atrás.


A história não erra quando atribui ao Brasil o título de país do futebol. O jogo de bola é uma paixão nacional. Entre outras razões, porque é daqui o casal real – Marta e Pelé – reconhecido pelo mundo inteiro como o rei e a rainha do futebol.


Mas o caminho trilhado pelos homens para virar referência no mundo da bola é bem distinto da trajetória feminina. No rastro de Pelé, Bellini, Djalma e Nilton Santos, Garrincha, Zagalo, Gerson, Tostão e Rivelino, campeões das copas de 58, 62 e 70, vieram várias gerações de atletas que ajudaram a consolidar a imagem do Brasil como país do futebol.

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Em 2014, 50 ex-campeões mundiais de futebol receberam um reconhecimento do Governo Federal e da CBF, pelo feito histórico que tornou o Brasil pentacampeão da modalidade.


Do lado feminino a história é bem diferente. A começar pela dificuldade natural de uma sociedade estruturalmente machista em reconhecer o futebol como um esporte possível de ser praticado por todos. Tanto é que as primeiras referências registradas no Brasil da década de 20, pouco mais de cem anos atrás, tratavam o futebol feminino como algo exótico, a ponto de figurar como uma atração de circo.


Para tornar ainda mais dramática essa história, a prática do futebol pelas mulheres foi proibida no território brasileiro, em 1941. Essa proibição retrógrada, preconceituosa e absurda levou mais de 40 anos até que fosse derrubada e a prática do futebol feminino devidamente regulamentada, em 1983.


Muitas décadas depois, a Lei Geral da Copa 2027, marco legal que estabelece as condições necessárias para a realização da principal competição esportiva feminina do planeta assinado nesta terça-feira (2), pelo presidente Lula, prevê o reconhecimento das jogadoras que participaram do torneio experimental de 1988 e da primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991, como forma de reparação histórica às pioneiras do futebol feminino brasileiro.

Seleção Feminina em 2024 Rafael Ribeiro CBF

Nosso compromisso é garantir que os benefícios da Copa permaneçam no país muito depois do apito final, é garantir o legado social e esportivo que estamos construindo.


Nada mais justo, portanto, do que jogar uma luz definitiva num pedaço esquecido da história do futebol brasileiro e eternizá-lo de uma vez por todas. No momento exato em que o Brasil se prepara a passos largos para realizar a primeira e melhor Copa do mundo da história do futebol feminino, reconhecer o feito de 30 das pioneiras do futebol é um ato mais do que merecido. É um reconhecimento histórico, justo e necessário. Luz que põe fim à sombra do esquecimento.

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