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Marcelo Barbosa Saintive

Artigo de Opinião

Mestre em Ciências Econômicas pelo Instituto de Economia da UFRJ. Exerceu a função de secretário-adjunto da Secretaria de Acompanhamento Econômico (2000-2006) e de Secretário de Acompanhamento Econômico (2009-2007) do Ministério da Fazenda. Foi subsecretário de Finanças do Estado do Rio de Janeiro (2007-2011), diretor-geral da Estruturadora Brasileira de Projetos (2011-2014) e Secretário do Tesouro Nacional (2015). Esteve à frente, como diretor-executivo (2017-2021), do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies)
Marcelo Barbosa Saintive

O papel do Bandes no âmbito da nova política industrial para o Brasil

Como sabemos, bancos de desenvolvimento devem atuar como um braço da política pública, principalmente, frente aos novos desafios impostos pela crise climática
Marcelo Barbosa Saintive
Mestre em Ciências Econômicas pelo Instituto de Economia da UFRJ. Exerceu a função de secretário-adjunto da Secretaria de Acompanhamento Econômico (2000-2006) e de Secretário de Acompanhamento Econômico (2009-2007) do Ministério da Fazenda. Foi subsecretário de Finanças do Estado do Rio de Janeiro (2007-2011), diretor-geral da Estruturadora Brasileira de Projetos (2011-2014) e Secretário do Tesouro Nacional (2015). Esteve à frente, como diretor-executivo (2017-2021), do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies)

Publicado em 14 de Novembro de 2024 às 12:01

Publicado em 

14 nov 2024 às 12:01
O governo federal vem lançando por etapas o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), cujo objetivo consiste em impulsionar a indústria nacional até 2033. A política industrial proposta tem o potencial de ajudar o Brasil a aproveitar as oportunidades geradas pela descarbonização da economia, permitindo que o setor industrial lidere o desenvolvimento sustentável. O NIB define metas para missões e áreas prioritárias e direciona recursos para essas áreas, a saber:
Missão 1: Cadeias Agroindustriais;
Missão 2: Complexo da Saúde;
Missão 3: Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis;
Missão 4: Transformação digital;
Missão 5: Bioeconomia, Descarbonização e Transição e Segurança Energéticas;
Missão 6: Defesa.
O plano é ambicioso. E reconhecemos que ele foca em áreas importantes, como a modernização do parque industrial, Inovação, Tecnologia, Mobilidade Verde e Exportação, sendo que o maior direcionamento de recursos para a competitividade industrial está refletido nas missões 4 e 5 acima listadas. O Espírito Santo, segundo Estado mais industrializado do Brasil, se beneficia diretamente dessa política que estimulará a agregação de valor e o desenvolvimento da indústria.
Diante do exposto acima, faz-se necessário destacar que o Estado possui uma imensa vantagem comparativa, qual seja, um ativo estratégico que é ter um banco de desenvolvimento regional, o Bandes. Como sabemos, bancos de desenvolvimento devem atuar como um braço da política pública, principalmente, frente aos novos desafios impostos pela crise climática. Nesse sentido, o Bandes vem passando, nos últimos dois anos, por uma transformação estratégica e organizacional com o objetivo de incorporar à sua missão o tema da sustentabilidade e operar como financiador do processo de descarbonização e de transição energética.
Ademais, como Mazzucato (2014) assinala, é preciso ter governos proativos para que a transição verde ocorra de forma efetiva. Nesse sentido, podemos afiançar que o Espírito Santo tem uma diretriz estratégica clara. Primeiro, porque o governador Renato Casagrande lidera o fórum dos entes nacionais sobre mudanças climáticas.
Segundo, porque o governo elaborou um excelente Plano de Descarbonização que orienta e prioriza as ações necessárias para o atingimento das metas de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em 27% até 2030 e para alcançar a neutralização dos efeitos do GEE (net zero) em 2050.
Tendo em mente o quadro acima, é importante destacar o papel do Bandes e, principalmente, como a organização já opera nos seus financiamentos levando em conta os temas descritos nas missões 4 e 5: Inovação/Transformação Digital e Descarbonização e Transição Energética.
Em 2019, o governo do Estado criou o Fundo Soberano, concebido com atribuições de reserva financeira e de indutor do desenvolvimento sustentável do Espírito Santo. Com o Funses 1 e o Funses ESG Debêntures, o Estado impulsionou o ecossistema de Inovação e de negócios comprometidos com o desenvolvimento regional sustentável.
O Bandes, como já mencionamos, é o braço financeiro das políticas públicas formuladas pelo Estado. Desse modo, o banco atua seja como supervisor do programa adotado no Funses 1 (fomento ao ecossistema de Inovação), seja como gestor efetivo do programa Funses ESG Debêntures. Nesse último, após uma rigorosa análise de rating e de sustentabilidade das proponentes para o acesso a esses recursos escassos, foram selecionadas empresas que realizarão projetos de ampliação da capacidade produtiva e aumento de produtividade.
Em 2024, serão liberados R$ 127 milhões em quatro operações em Colatina, Serra, São Domingos do Norte e Pinheiros. Além disso, duas operações em curso, na fase de contratação, totalizam mais R$ 98,7 milhões. Ao todo serão liberados R$ 248,7 milhões para as seis empresas.
Além do apoio dos Programas Funses 1 e ESG Debêntures ao aumento da produtividade das empresas capixabas, o Bandes reforçou a sua atuação no âmbito do desenvolvimento industrial por meio das linhas de financiamento para investimento em capital fixo (máquinas e equipamentos). Entre 2023 e 2024, foram injetados, adicionalmente, mais de R$ 105 milhões para investimentos na economia capixaba.
No que se refere à Inovação e Transformação Digital, o banco desempenha o papel de distribuir recursos, como os provenientes da Finep, e de garantir acesso a negócios em todo o Espírito Santo. Assim, desde 2023, foram 42 operações Finep, cujo montante alcançou R$ 226,2 milhões. Ou seja, por intermédio do Bandes, o investimento em Inovação/Transformação Digital, associado ao aumento de produtividade, acarretará um impacto produtivo e social nos próximos anos.
Por fim, o Bandes, seguindo as orientações do governo, está elaborando um novo programa com foco no financiamento à Descarbonização de Energia e Indústria, alinhado às ações recentes do Estado em prol da redução de emissões de GEE, mencionadas anteriormente.
Agência do Bandes: banco quer ampliar participação no interior do ES
Agência do Bandes: banco quer ampliar participação no interior do ES Crédito: Divulgação/Bandes
É importante assinalar que temos uma preocupação institucional com as ações denominadas “greenwashing”. Assim, vale adiantar que as empresas, para serem elegíveis aos recursos do Fundo Soberano, precisarão se planejar para a mitigação e redução de emissões em seu parque industrial, saber estimar os custos e as tecnologias necessárias para aumentar a eficiência energética e operacional associada à descarbonização, que deverá ser reportada de forma sistemática, com metas preestabelecidas. E, certamente, o banco monitorará diligentemente estas metas.
O cenário descrito acima reforça o papel dos bancos de desenvolvimento enquanto instrumentos de políticas públicas e financiadores do investimento de longo prazo, sendo organizações cruciais para financiar o processo da chamada “revolução verde”.
O Bandes tem cumprido o papel de apoiar o setor produtivo rumo à sustentabilidade e está apto para aproveitar as oportunidades oferecidas pelo Programa NIB. Aguardemos, com a devida noção de urgência requerida pelo tema, que as missões da nova política industrial brasileira se transformem, de fato, em ações e resultados efetivos.
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