Após o fim do ciclo político de vinte e quatro anos, o Estado do Espírito Santo precisará de um líder que seja capaz de assegurar a continuidade e a mudança.
Embora possa parecer contraditório, esse é o sentimento de muitos capixabas na atualidade. Essa percepção nasce da escuta direta das pessoas nas minhas andanças por todas as regiões do Estado. Existe uma preocupação com a possível interrupção de ações e projetos que estão funcionando; ao mesmo tempo, há uma expectativa de que o Espírito Santo avance com projetos criativos, inovadores e sustentáveis.
Em síntese, a maioria dos capixabas alerta para os riscos de retrocesso e de descontinuidade administrativa, de um lado, e enxerga a possibilidade de um futuro melhor, do outro.
A população não pode ser penalizada e ficar refém de brigas e polarizações políticas, que frequentemente resultam em retrocessos e paralisia administrativa. Não se justifica um gestor deixar de concluir obras e dar sequência a projetos e programas pelo simples fato de terem sido iniciados em uma gestão anterior. Políticas estruturantes devem ser tratadas como políticas de Estado, e não apenas de governo.
Por outro lado, a permanência de um ou dois grupos políticos no poder, por longo tempo, pode gerar o que chamamos de fadiga de material, principalmente quando gestores públicos não se reinventam e se mantêm na zona de conforto.
Esse é o cenário atual no Espírito Santo: a população reconhece os avanços dos últimos anos, mas alerta para os riscos de retrocesso. Da mesma forma, aponta para um novo tempo com mais inovação na gestão estadual, acesso da população a serviços públicos de qualidade, regionalização do desenvolvimento econômico, implantação de projetos estratégicos de mobilidade urbana, descentralização do atendimento na área de saúde, mais investimentos em educação e pesquisa e uso inteligente das novas tecnologias.
Nem retrocesso, nem mais do mesmo. Os capixabas querem manter o que deu certo neste período, mas desejam, principalmente, mudanças estruturais que possam fazer do nosso Espírito Santo um estado que apoie os pequenos negócios e que cuide, prioritariamente, daqueles que mais precisam. Esse caminho não se constrói com decisões isoladas. Exige escuta permanente e construção coletiva para transformar as expectativas da sociedade em ações concretas.
Por que continuidade? Porque a população capixaba não pretende abrir mão das conquistas alcançadas até aqui. Também não quer correr o risco de que, mais uma vez, o Estado fique refém dos conflitos políticos e de um processo de corrupção que corroeu as instituições públicas e privadas durante anos.
Por que mudança? Porque a sociedade não quer apenas a continuidade do projeto político atual. Os capixabas esperam por um novo ciclo de desenvolvimento, que fortaleça o ambiente de negócios e a competitividade do Estado. Projeta, ainda, um futuro com mais participação e investimentos nas políticas sociais.
Essas percepções da população vão influenciar o resultado das eleições de outubro. Os eleitores devem derrotar tentativas de ascensão de projetos pessoais ou de qualquer outra candidatura que defenda ruptura com o processo político em curso. Acredito que, da mesma forma, será rejeitada a proposta de mera continuidade administrativa.
Neste novo ciclo, o Espírito Santo precisará de um governador que tenha experiência administrativa, capacidade de diálogo com todas as forças políticas e boa relação com o governo do Brasil para atrair investimentos e realizar projetos estratégicos. Além disso, deverá formar boa equipe, ter visão estratégica para planejar o futuro com participação da sociedade e compromisso com a ampliação das políticas públicas para atender à população mais vulnerável.
Enfim, o futuro próximo exigirá continuidade e mudança. E essa é uma tarefa para quem tem responsabilidade e coragem de manter as conquistas com generosidade e visão republicana; mas, sobretudo, que tenha ousadia para inovar e construir um Estado mais democrático, participativo, sustentável, inclusivo e inteligente.
Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.