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Kenner Terra

Artigo de Opinião

É pastor, professor, escritor e doutor em Ciências da Religião
Kenner Terra

No Espírito Santo, a Marcha deixará de ser para Jesus

A instrumentalização da fé para interesses políticos trai a tradição protestante e representa a baixeza de alguns líderes religiosos. Em Pernambuco, diferentemente daqui, lideranças evangélicas proibiram qualquer ato político eleitoral durante a marcha
Kenner Terra
É pastor, professor, escritor e doutor em Ciências da Religião

Publicado em 13 de Julho de 2022 às 14:39

Publicado em 

13 jul 2022 às 14:39
O evento evangélico conhecido como Marcha para Jesus completa 30 anos em 2022. Como explica Davi Lago, curador do Observatório Evangélico, na década de 1990 a marcha pretendia visibilizar os evangélicos, que na época estavam em intenso crescimento, e ocupar o espaço público promovendo a unidade.
A ideia era reunir os vários grupos do seguimento a fim de celebrar e divulgar a fé evangélica brasileira. Todavia, em pouco tempo, o evento foi ganhando outro tom. Interesses político-partidários misturavam-se ao entretenimento gospel, fazendo da marcha, realizada em diversos lugares do Brasil, palanque político e disseminação ideológica.
Nos últimos anos, reflexo da relação entre parte do mundo evangélico e o bolsonarismo, o evento se tornou instrumento de promoção e fortalecimentos do apoio de alguns grupos evangélicos e campanha de reeleição do atual presidente.
No Espírito Santo, a Marcha para Jesus ocorrerá neste mês de julho e pretende atravessar a Terceira Ponte. E, desta vez, Jair Bolsonaro confirmou sua presença, o que fortalece o diagnóstico de cooptação política. Em vídeo que circula pelas redes, um dos pastores envolvidos com o evento capixaba, aparentemente de dentro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao lado do deputado Marco Feliciano, convoca os evangélicos do Estado.
A instrumentalização da fé para interesses políticos trai a tradição protestante e representa a baixeza de alguns líderes religiosos. Em Pernambuco, por exemplo, o Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) e o Conselho de Pastores de Pernambuco, ao contrário do que se percebe por aqui, estabeleceram a total proibição de qualquer ato político eleitoral durante a marcha.
Esse tipo de articulação, além de antiético, desconsidera que os evangélicos não são necessariamente apoiadores do atual presidente. Inclusive, pesquisa do PoderData realizada entre 3 e 5 de julho mostra que Bolsonaro tem 47% das intenções de votos entre os evangélicos e não sua totalidade.
No Espírito Santo, a Marcha deixará de ser para Jesus e outro messias ganhará destaque e visibilidade.
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