O tradicional é bom o suficiente só pelo fato de ser tradicional? Até que ponto estamos dispostos a mudar e nos adaptar à quebra de modelos clássicos? São perguntas que se impõem nestes tempos de coronavírus.
A adaptabilidade do ser humano vem sendo testada das mais diversas formas. De acordo com a ONU, estima-se de 1,5 bilhão de estudantes, em 174 países, estão fora das escolas. Os desafios de um setor tão tradicional e essencial são muitos. Mas temos vivenciados boas iniciativas.
Os professores e as instituições de ensino estão se reinventando para garantir a assistência aos seus alunos de maneira virtual e evitar evasão escolar ou defasagem no aprendizado. O próprio poder público também foi forçado a repensar e vem se adaptando para atender seus alunos em todo país.
Essas ações, que em sua totalidade se apoiam na tecnologia, estão promovendo uma quebra de paradigmas na trilha de aprendizagem tida como consolidada na opinião de pais e educadores. Esse cenário nos dá a certeza de que a educação daqui em diante se dará de novas formas. É possível uma mudança antes impensável.
Em uma entrevista à imprensa, Andreas Schleicher, diretor da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo PISA, reforçou que os educadores terão que mudar o jeito de ensinar. Esse discurso está ganhando ressonância no meio educacional.
O abalo causado pela pandemia nos proporcionou uma nova visão, mostrando o quão benéfico é repensar a transmissão dos conteúdos aos alunos e como sua trilha de aprendizagem pode ser positivamente impactada por inovações.
O braço tecnológico estará para sempre amparando o acesso à aprendizagem das crianças. A mudança também é aplicada aos pais que deverão se abrir às novidades, o que de alguma forma já vem ocorrendo. Eles estão tendo a oportunidade de acompanhar de perto e se reconectar com o sistema de aprendizagem dos filhos, seu processo de aprendizado e integração com o ensino. Hábito perdido com a rotina de trabalho intensa e que esperamos se permaneça.
O que vemos para o futuro da educação são essas movimentações emergenciais promovidas pelo isolamento se tornando algo positivamente permanente. O ensino híbrido será uma realidade pós-pandêmica. E essa ruptura tende a trazer um ganho surpreendente à qualidade de ensino.
Vale ressaltar que a atual geração já clamava por mudanças no modelo de aprendizado. Protagonismo, interação, novas formas de levar conteúdo, novos layouts e ferramentas começaram a ser implementados nos últimos anos de maneira lenta e agora são impulsionados. Não vemos dificuldade de aceitação por parte dos jovens, embora alguns pais possam se mostrar resistentes à evolução.
Para o fim do isolamento, previsto para os próximos meses, a grande lição que devemos tirar é que as mudanças que nos foram apresentadas podem fazer parte de uma revolução educacional nunca vivida, porém totalmente possível em prol da qualidade do ensino e do futuro dos nossos filhos. Não deixemos que isso se perca! Façamos, enquanto educadores, com que todos possam ter acesso a este salto evolutivo.
O autor é diretor da Escola SEB, unidade Vitória