A realidade é que cabelo e couro cabeludo precisam ser observados de maneira individualizada. A queda capilar, por exemplo, pode ter diferentes causas, incluindo fatores genéticos, alterações hormonais, estresse, deficiências nutricionais, doenças e até hábitos de cuidado.
Também é muito comum ouvir que lavar o cabelo todos os dias provoca queda. Isso é outro mito. A frequência de lavagem deve levar em consideração o tipo de cabelo, a oleosidade e as características do couro cabeludo.
Outro mito bastante difundido é que quanto mais vitaminas uma pessoa tomar, mais o cabelo crescerá. Não funciona dessa maneira. Deficiências nutricionais podem estar relacionadas à queda, mas excesso de suplementação, ainda mais sem indicação, não significa acelerar o crescimento.
Dormir com o cabelo molhado também não provoca queda pela raiz, como muitas pessoas acreditam. O principal cuidado, nesse caso, está relacionado à fibra capilar. Quando está molhado, o fio fica mais vulnerável ao estiramento, ao atrito e à quebra.
Além disso, manter o couro cabeludo úmido por períodos prolongados pode favorecer um ambiente propício à proliferação de fungos e bactérias e, em pessoas predispostas, contribuir para alterações como dermatite seborreica ou foliculite. Isso não significa que dormir ocasionalmente com os cabelos molhados vá necessariamente causar uma infecção, mas é um hábito que, quando frequente, vale a pena evitar.
Por isso, sempre que possível, o ideal é secar os cabelos antes de dormir, principalmente o couro cabeludo. Se for necessário deitar com os fios ainda úmidos, o mais importante é evitar prendê-los com força e reduzir a manipulação enquanto estiverem molhados.
Por outro lado, existe uma crença que é, sim, verdadeira: prender o cabelo com muita força pode provocar queda. Rabos de cavalo, coques, tranças e extensões muito apertadas submetem os fios e os folículos a uma tração repetitiva.
Com o tempo, isso pode provocar a chamada alopecia por tração e, em casos mais avançados, a perda pode se tornar permanente. Dor ou sensação de repuxamento durante o penteado são sinais de que a tração está excessiva.
O estresse também pode estar relacionado à queda dos cabelos. O organismo responde a situações de estresse físico ou emocional de diferentes maneiras e, em alguns casos, o aumento da queda pode aparecer apenas semanas ou meses depois do acontecimento que desencadeou o processo.
Infecções, febre, cirurgias e mudanças importantes no organismo também podem estar associados a esse tipo de queda. Por isso, nem sempre existe uma relação temporal imediata entre o evento e a percepção da perda dos fios.
Outro ponto que merece atenção é a ideia de que produto caro é sinônimo de produto melhor. O preço não determina, sozinho, a qualidade ou a indicação de um cosmético. Um produto precisa ser escolhido de acordo com as necessidades do fio e do couro cabeludo.
Além disso, cosméticos podem melhorar características como hidratação, brilho, textura e aparência, entretanto, não substituem uma avaliação médica quando existe queda persistente ou alguma alteração no couro cabeludo.
Há ainda muita confusão em torno dos shampoos para queda. O shampoo pode fazer parte de uma rotina adequada de cuidados,porém, não devemos esperar que um produto de higiene seja capaz de tratar sozinho todas as causas de alopecia.
A queda de cabelo é um sintoma, e o tratamento depende da identificação de sua origem. Em algumas situações, existem tratamentos específicos que podem ajudar, contudo, precisam ser direcionados de acordo com o diagnóstico.
Quando falamos em química e calor, por outro lado, temos uma afirmação verdadeira. Descolorações, alisamentos, colorações e o uso frequente de ferramentas térmicas podem danificar a fibra capilar, deixando-a mais frágil e suscetível à quebra.
Isso não significa que procedimentos químicos sejam proibidos, mas que precisam ser realizados com cuidado, respeitando as características dos fios e evitando excessos. O uso de calor também deve ser moderado e, sempre que possível, realizado em temperaturas mais baixas.
É importante lembrar que a fibra capilar que já está fora do couro cabeludo não possui capacidade de se regenerar biologicamente. Podemos melhorar sua aparência, proteger sua estrutura e reduzir novos danos, mas uma fibra que sofreu uma deterioração importante não simplesmente volta ao seu estado original.
Talvez o maior mito, entretanto, seja acreditar que existe uma única solução para todos os cabelos.
Cada pessoa tem uma genética, uma rotina, uma alimentação, um histórico hormonal e de saúde, características de couro cabeludo e hábitos de cuidado diferentes. Por isso, a mesma estratégia que funciona para uma pessoa pode não ser adequada para outra.
A verdade é que a queda persistente, o afinamento dos fios, o aumento da área de couro cabeludo visível, o surgimento de falhas ou alterações como coceira, descamação, dor e vermelhidão são sinais que merecem atenção. Quanto mais cedo uma alteração capilar é investigada, maior a possibilidade de identificar sua causa e estabelecer uma conduta adequada.
Cuidar do cabelo, portanto, vai muito além de escolher um bom shampoo ou seguir uma tendência nas redes sociais. É preciso olhar para o couro cabeludo, para a fibra e também para o organismo como um todo.
Informação também é uma forma de cuidado. Antes de investir em uma infinidade de produtos, suplementos ou receitas caseiras, é importante entender o que está acontecendo.
O cabelo pode revelar sinais de que algo precisa ser investigado, e ignorar uma queda persistente em busca de uma solução rápida pode atrasar o diagnóstico. Quanto mais individualizado for o cuidado, maiores são as chances de preservar a saúde dos fios e do couro cabeludo ao longo do tempo.