A pandemia do novo coronavírus pegou de surpresa diversos setores da economia, em especial o segmento imobiliário, que tinha perspectiva de viver uma retomada vertiginosa em 2020. Mas ainda é cedo para o mercado perder o otimismo. Ao contrário, é oportuno para rever práticas e encontrar respostas rápidas para construir, tijolo por tijolo, um ambiente propício à geração de novos negócios.
De acordo com dados da Brain Inteligência Estratégica, o mercado ainda espera lançar 586 novos empreendimentos verticais e 297 horizontais neste ano, que contribuirão para ajudar a reativar a economia brasileira, por meio da geração de empregos e aquecimento da ampla cadeia de fornecedores do setor.
A mesma pesquisa também evidencia a disposição do consumidor em comprar imóveis durante a pandemia. Apesar da crise, 56% das empresas registraram vendas no mês de abril, apresentando um desempenho 10% maior na comparação com março, quando o governo confirmou a circulação do vírus no país.
Os desafios que se avizinham são muitos. O primeiro deles é a revisão das práticas de intermediação de compra e venda de imóveis. Todo o processo ainda é bastante físico, com estruturas de atendimento presencial e que precisam ser aprimoradas no ambiente virtual. As formas de apresentação dos produtos também estão em transformação, exigindo novos recursos tecnológicos.
Para o mercado imobiliário, o novo normal é agora. A situação enfrentada por toda a população trouxe à baila o imenso déficit habitacional no Brasil, que hoje chega a 7,8 milhões de moradias. São famílias compartilhando imóveis irregulares, sem saneamento básico e condições mínimas de ocupação. Considerado como serviço essencial à população na pandemia, o setor tem uma enorme contribuição a dar ao país.
As bases que trouxeram o segmento até aqui continuam de pé. E há condições favoráveis para ajudar. Os juros permanecem atrativos, assim como as condições para o financiamento bancário. A Caixa Econômica Federal, responsável por parte dos contratos habitacionais, anunciou a liberação de R$ 43 milhões que visam a antecipar recursos às incorporadoras e dar mais alívio aos mutuários da casa própria e incentivar as pessoas físicas a tomarem crédito imobiliário. Portanto, mãos à obra.
*O autor é presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES)