A IA que conhecemos em 2022, com a popularização do ChatGPT, já ficou para trás. Em poucos anos, saímos de uma IA que atuava como copiloto, apoiando tarefas específicas, para uma IA capaz de assumir processos inteiros.
Agora, precisamos nos acostumar com os sistemas agênticos, que não executam apenas uma tarefa isolada, mas são responsáveis pelo processo como um todo. Eles atuam como um time virtual que não espera o próximo prompt para continuar trabalhando. Em vez disso, integram-se a sistemas, bancos de dados e até a outros agentes de IA para entregar um resultado completo.
Na prática, já está ficando ultrapassado pedir para a IA apenas revisar um e-mail ou até mesmo revisar e enviar uma mensagem. Um sistema agêntico identifica que um e-mail chegou, entende o contexto, formula a melhor resposta e realiza o envio. A intervenção humana se torna exceção.
Mas se a capacidade da IA evoluiu tanto nos últimos anos, por que ainda temos dificuldade de enxergar resultados concretos da sua implementação nas empresas? A resposta está na chamada Curva J da produtividade.
No início de toda transformação tecnológica, é comum perceber pequenos ganhos de eficiência. E é justamente esse ganho inicial que costuma motivar a expansão da iniciativa para outras áreas da empresa.
Porém, à medida que a adoção avança, começam a surgir os desafios que realmente determinam o sucesso da transformação: redesenho de processos, organização dos dados, integração entre sistemas, mudança de mentalidade das pessoas e redefinição das funções de trabalho.
É nesse momento que muitas empresas entram no vale da Curva J. A expectativa é alta, o investimento foi realizado, mas os resultados ainda não aparecem na velocidade esperada. Não porque a tecnologia não funciona, mas porque a organização ainda está aprendendo a operar de uma nova forma. Talvez seja o ponto mais importante da discussão. A implementação da IA é um projeto de transformação organizacional.
As empresas que conseguirem atravessar esse período de adaptação colherão ganhos cada vez maiores. Afinal, quando processos são redesenhados, dados são organizados e as equipes aprendem a trabalhar em conjunto com a IA, os resultados deixam de ser incrementais e passam a ser exponenciais.
Por isso, a principal pergunta que empresários e executivos deveriam fazer não é mais "como usar IA?", mas sim: o que a minha empresa poderá entregar com IA e o que precisa mudar para que isso aconteça?
Todo modelo de negócio está sendo colocado em “check” pela velocidade dessa transformação. Produtos, serviços, processos e até mesmo funções de trabalho serão redefinidos nos próximos anos.
Como em toda grande mudança tecnológica, as empresas vão se adaptar, seja contratando novas soluções, seja desenvolvendo novas competências. O que fará a diferença não será o acesso à tecnologia. Será a forma como cada organização reage à mudança. Porque, no final, os resultados da IA dependem menos da ferramenta e mais da disposição das empresas para transformar a maneira como trabalham.