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João Gualberto

Artigo de Opinião

História capixaba

Hino do Espírito Santo está equivocado: nossos braços não são fracos

A construção de um imaginário social de orgulho do passado que merecemos já se faz necessário. Precisamos ancorar nossos projetos de desenvolvimento de forma clara no orgulho de ser capixaba
João Gualberto

Publicado em 29 de Março de 2020 às 16:00

Publicado em 

29 mar 2020 às 16:00
Palácio Anchieta, sede do governo do Estado
Palácio Anchieta é uma das marcas da potência histórica do Espírito Santo Crédito: Marcelo Prest | Arquivo | A Gazeta
A sociedade capixaba tem uma dívida histórica com o seu passado, por não o estudar de forma adequada. Por não tentar elucidar o que realmente se passou nessas terras em sua construção social. Antes pelo contrário, ficamos a repetir que fomos uma espécie de barreira verde para impedir a saída por contrabando do ouro das Minas Gerais ou que houve um marasmo colonial e que erámos inexpressivos.
Esse mito não resiste a nenhuma análise do nosso passado. Como marasmo, tendo a potência jesuítica desde o século XVI até a expulsão dos inacianos em 1759? As igrejas de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy, a de Anchieta, a dos Reis Magos, em Nova Almeida, e a hoje sede do governo estadual, o Palácio Anchieta, para ficar nas mais conhecidas, são marcas dessa potência de que falo. As fazendas de Araçatiba, em Viana, e a de Muribeca, na fronteira com o Rio de Janeiro, eram as maiores do litoral brasileiro.
Nosso hino fala nas fraquezas de forma equivocada. Não somos fracos, nossos braços não são fracos. Esse é o olhar do início da república em seu afã de progresso, em seu desejo de suplantar o que os positivistas achavam que era o papel negativo da Igreja Católica. Mas essa narrativa negativa impregna nosso imaginário social. Nos fragiliza, atrapalha no desenvolvimento de um sentimento de pertencimento positivo, como possuem gaúchos, pernambucanos, mineiros.
A construção de um imaginário social de orgulho do passado que merecemos já se faz necessário. Precisamos ancorar nossos projetos de desenvolvimento de forma clara no orgulho de ser capixaba. Não se faz economia criativa, turismo e enraizamento da cultura no cotidiano da sociedade, sentindo-se menor, inferior, menosprezado.
Precisamos discutir mais esse tema. Precisamos iniciar um movimento forte na sociedade para nos valorizarmos. Afina, somos fortes. Nossos braços são fortes, e isso importa. 
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