
Eugênio Ricas*
Conforme amplamente divulgado, recentemente os EUA receberam a visita do ministro da Justiça, Sergio Moro, e do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. A visita propiciou a oportunidade de visitarmos algumas unidades policiais americanas, merecendo destaque para aquelas que trabalham sob o regime de força-tarefa, ou seja, inúmeras agências no mesmo local, compartilhando informações, experiências e, sobretudo, confiança.
Após o 11/09, os americanos sentiram a necessidade de maior cooperação e compartilhamento de informações. Criaram, então, na região de Washington, o National Targeting Center (NTC), um centro gigantesco, administrado pela Customs and Boarder Protection, que abriga centenas de profissionais oriundos dos mais diversos órgãos e países, com o intuito de controlar e investigar a entrada de pessoas e cargas nos EUA. O trabalho desenvolvido é sensacional!
Em Nova York, pudemos conhecer outros bons exemplos. As JTTF, ou Forças-Tarefas Conjuntas do FBI (para combate ao terrorismo), são pequenas células, espalhadas por 104 cidades americanas, compostas por investigadores de dezenas de agências policiais e de inteligência dos EUA, que compartilham, diuturnamente, informações para alcançar seus objetivos com eficiência.
Ainda em NY, visitamos a El Dorado, força-tarefa formada por mais de 260 membros, de mais de 55 órgãos policiais, que têm como missão combater a lavagem de dinheiro e os crimes financeiros. Além do trabalho de compartilhamento de informações e investigações em conjunto, os agentes da força-tarefa educam o setor financeiro privado para identificar e eliminar vulnerabilidades e promover o combate à lavagem de dinheiro, por meio de treinamento e outros programas de extensão.
Por fim, visitamos a chamada NCFTA (Aliança Cibernética e de Treinamento Nacional), que é uma parceria sem fins lucrativos entre a indústria privada, o governo e a academia, com o propósito de criar um ambiente confiável e neutro que permita a cooperação para identificar e combater os crimes cibernéticos. Foi uma overdose de trabalho em cooperação!
No Brasil, ainda engatinhamos nessa área. Bons exemplos de trabalho em força-tarefa podem ser vistos aqui ou acolá, mas o modelo, infelizmente, ainda não entrou na cultura da segurança pública brasileira. Os ataques de 11/09, nos EUA, mataram cerca de três mil pessoas e foram decisivos para a mudança da cultura do país. No Brasil, temos mais de 60 mil homicídios por ano, ou seja, quase dois 11/09 todos os meses. Não nos faltam motivos para mudarmos nossa cultura!
*O autor é delegado federal, adido da PF nos EUA, mestre em Gestão Pública pela Ufes