Governos não podem tudo. Como sustentava o economista e filósofo austríaco-britânico Friedrich Hayek, ao explicar o funcionamento do mercado, existe o “conhecimento das circunstâncias particulares de tempo e lugar” e são os indivíduos que possuem o conhecimento prático – o saber local.
Em um mundo de revoluções tecnológicas, de um novo modelo de existir e se relacionar, o que a sociedade exige são decisões horizontais. Ouvir quem conhece de fato a realidade deve ser o princípio básico de qualquer governo, e, no Espírito Santo, estamos fazendo o nosso dever de casa.
Uma iniciativa que muito nos orgulha é o programa Favela 3D (Digna, Digital e Desenvolvida), iniciativa da ONG Gerando Falcões em parceria com a ONG Rede Protagonista, Governo do Estado e Prefeitura de Cariacica. O trabalho se estenderá por três anos.
O objetivo do programa, que, aqui no nosso Estado, está sendo desenvolvido no bairro Piranema, em Cariacica, é erradicar a pobreza por meio de soluções baseadas em dados, ciência e inovação social.
O Favela 3D tem um investimento previsto de R$ 50 milhões e empresas privadas participam da ação.
O programa conta com três eixos fundamentais que direcionam o foco e os resultados de cada projeto. São eles: urbanismo social, geração de renda e desenvolvimento social. Os moradores participam ativamente das decisões durante todo o processo de desenvolvimento da dignidade.
A equipe da Gerando Falcões levantou dados sobre Piranema, em um diagnóstico comunitário que considerou diversos tópicos, como, por exemplo, educação, saúde e infraestrutura – e as famílias já estão sendo acompanhadas por uma equipe técnico social, que definem trilhas individuais de evolução, sonhos e metas.
Nada é construído de cima pra baixo, mas, sim, com debate e no diálogo com quem vive na comunidade. São os moradores que vão traduzir o lugar deles.
O Favela 3D é um exemplo de que governos devem sempre buscar ampliar suas conexões com a sociedade.