Na manhã de um domingo, a cidade de Castelo foi surpreendida com a demolição de uma de suas casas mais bonitas. Além de bonita, ela carregava um significado para a história do município e um valor arquitetônico inestimável. Casas como esta eram construídas pelos imigrantes que traziam em bagagem a cultura da terra natal e adaptavam ao nosso clima, alterando telhados e varandas.
Este não é um episodio isolado. Infelizmente vemos muito da nossa história se perdendo em várias cidades. Administrações públicas têm destruído patrimônios históricos municipais com o objetivo de copiar modelos internacionais, valorizando a cultura do copia e cola e esquecendo que temos muito a oferecer e mostrar.
Não sabemos se por falta de orientação técnica adequada ou simplesmente por vaidade, a falta de criatividade de uso desses imóveis leva a administração a abandonarem essas edificações, chegando ao ponto de justificarem que uma reforma ou restauro torna-se mais custosa do que simplesmente colocarem ao chão e construírem algo novo.
Se não for pelo valor histórico, deveríamos pensar na sustentabilidade ambiental. O mundo atual não pode se dar ao luxo de colocar uma edificação ao chão simplesmente porque não pensam em usos ou técnicas adequadas para reutilização. Hoje temos uma tecnologia avançada que nos ajuda a adaptar e reconstruir o que quisermos – se conseguem replicar obras italianas do renascentismo, quem dirá preservar obras de 100 anos atrás, não é mesmo?
O que esperamos de verdade é que o poder público dê o exemplo de preservar, restaurar, manter as edificações que contam nossa história. E que contem nossa história para todos através da arquitetura, da arte, da música, com incentivos e fomento a cultura. Este exemplo passa ser copiado pelos empresários se forem tratados pela administração pública como prioridade e com respeito. Dessa forma podemos pensar em um futuro onde nossa cultura será mantida e nossa história contada através da arquitetura e urbanismo vivos em nossas cidades.
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