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Mário Broetto

Artigo de Opinião

Educação

Déficit da natureza para crianças é ainda maior na pandemia

Com parques, escolas, áreas de lazer e praias fechados, maioria dos alunos têm tido menos contato com o mundo natural, o que pode acarretar problemas físicos e mentais
Mário Broetto

Publicado em 23 de Julho de 2020 às 12:18

Publicado em 

23 jul 2020 às 12:18
Conexão com a natureza é um dos mais simples remédios para termos mais qualidade de vida
Conexão com a natureza é um dos mais simples remédios para termos mais qualidade de vida Crédito: Pixabay
Há alguns anos, o escritor americano Richard Louv cunhou em seu livro “A última criança na natureza” e difundiu por vários países, inclusive pelo Brasil, a expressão "déficit da natureza". O termo expressa um conjunto de problemas físicos e mentais que surgem em decorrência de uma vida distante de experiências com o mundo natural. De acordo com as pesquisas de Louv, crianças que mantêm contato regular com a natureza são mais felizes, saudáveis, se saem melhor nos estudos e até apresentam menos distúrbios de atenção.
No cenário atual de pandemia, entretanto, com parques, escolas, áreas de lazer e praias proibidos, e estudos e brincadeiras ocorrendo on-line diariamente, ouso concluir que, para a maioria dos alunos que não moram em casas com quintais arborizados ou não possuem alguma propriedade rural para se refugiar durante o isolamento social, o déficit da natureza, talvez antes já significativo, é hoje ainda maior.
Como se isso não bastasse, daí decorrem, em muitos casos, outros desafios que entram na lista dos a serem trabalhados na retomada das aulas presenciais. Cito a limitação das experiências humanas e sociais nestes mais de 120 dias de quarentena, a redução dos estímulos dos sentidos, e a ausência de brincadeiras livres e espontâneas que naturalmente ocorrem em ambientes menos regulados que os dos nossos apartamentos cuidadosamente decorados.
Ao meu ver, o mais preocupante é que tudo isso, além de ser parte da educação, também redunda em prejuízos para a saúde mental dos alunos, ponto de extrema atenção nos planejamentos pedagógicos, pois tem influência direta nos processos de aprendizagem.
Acredito que se os últimos meses foram impactantes para nós, adultos, o nível de estresse e ansiedade das crianças, que certamente varia de acordo com a estruturação e vivência familiar, pode estar aumentado. E isso precisa receber um olhar dos educadores.
Afinal de contas, quem esteve ou está imune ou alheio a este vírus que, além de provocar mortes e perdas econômicas, colocou uma lupa sobre tantos descaminhos do ser humano, dentre eles o afastamento da natureza. Que a valorização e a reconexão com terra, árvores, flores e animais seja um dos aprendizados da pandemia, um dos mais simples remédios para termos mais qualidade de vida e nos desenvolvermos de forma mais íntegra juntamente com as nossas crianças.
*O autor é diretor pedagógico do Centro Educacional Leonardo Da Vinci
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