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Pollyana Paraguassú

Artigo de Opinião

É presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes)
Pollyana Paraguassú

Decisão do STF é conquista que devolve autonomia às famílias atípicas

Recebi com alívio a decisão recente do Supremo Tribunal Federal que ampliou a isenção de impostos na compra de carro para pessoas com autismo e deficiência
Pollyana Paraguassú
É presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes)

Publicado em 14 de Agosto de 2026 às 14:31

Publicado em 

14 ago 2026 às 14:31

Há 22 anos, quando recebi o diagnóstico do meu filho, aprendi que cada direito conquistado pela pessoa autista raramente vem pronto. Ele é resultado de anos de mobilização de famílias que não desistem e de decisões que, aos poucos, reconhecem uma verdade simples: autismo não é uma categoria única, é um espectro, e cada pessoa vive essa condição de um jeito diferente.


Foi por isso que recebi com alívio a decisão recente do Supremo Tribunal Federal que ampliou a isenção de impostos na compra de carro para pessoas com autismo e deficiência. Até então, a regulamentação da reforma tributária excluía do benefício quem tinha autismo classificado no nível 1 de suporte, o chamado nível leve, como se o grau de apoio necessário determinasse, sozinho, o direito de ter acesso a um veículo adaptado às próprias necessidades. 


O STF entendeu, por unanimidade, que essa restrição era inconstitucional. A partir de agora, a análise deve considerar a situação concreta de cada pessoa, e não apenas um rótulo de gravidade.

Imagem Edicase Brasil
Autismo SewCreamStudio | Shutterstock

Pode parecer um avanço pontual, mas para muitas famílias capixabas que atendemos na Amaes, ele muda toda uma rotina. Um carro adaptado significa autonomia para ir à terapia, à escola, ao trabalho. É a diferença entre depender sempre de outra pessoa e poder circular com mais liberdade. 


É também um reconhecimento de que o autismo nível 1 de suporte não é sinônimo de ausência de dificuldade. Muitas famílias que atendemos convivem diariamente com desafios sensoriais, de comunicação e de deslocamento que um laudo, por si só, não descreve por completo.


A decisão também acerta ao manter as exigências técnicas, como laudo médico e o intervalo mínimo entre compras com isenção. Não se trata de abrir mão de critérios, mas de corrigir uma régua que tratava a gravidade do diagnóstico como o único fator relevante, ignorando o impacto real na vida da pessoa e de quem cuida dela.

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Na Amaes, atendemos hoje mais de 1.400 famílias diretamente, além de outras milhares que buscam informação e orientação. Sabemos, pela vivência diária, que pequenas mudanças na legislação têm efeito grande na rotina de quem convive com o autismo. Um carro pode significar a diferença entre uma família isolada e uma família com mais mobilidade e independência.


Essa conquista também nos lembra da importância de continuar acompanhando de perto as políticas públicas voltadas às pessoas com TEA. Cada decisão como essa é fruto de mobilização, de entidades e famílias que levam suas demandas ao Judiciário e ao Legislativo. Seguimos, na Amaes, na defesa de que o Espírito Santo e o Brasil continuem avançando na garantia de direitos, autonomia e dignidade para as pessoas autistas e suas famílias.


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