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Pollyana Paraguassú

Artigo de Opinião

É presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes)
Pollyana Paraguassú

Crianças autistas crescem e o direito de existir também precisa crescer

Como mãe, essa luta tem ainda outra dimensão: não quero apenas que meu filho seja cuidado enquanto eu puder cuidar dele
Pollyana Paraguassú
É presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes)

Publicado em 24 de Outubro de 2026 às 14:00

Publicado em 

24 out 2026 às 14:00
Falamos muito da infância, da escola, das terapias, do diagnóstico precoce e das dificuldades das famílias nos primeiros anos. Mas crianças autistas crescem. E o que acontece quando elas se tornam adultas?

Falo como gestora da Amaes (Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo), acompanhando de perto tantas famílias, mas também falo como mãe. Existe uma angústia que atravessa muitas de nós: perceber que, conforme nossos filhos crescem, os espaços diminuem, as oportunidades desaparecem e a sociedade parece deixar de enxergá-los. É uma invisibilidade que machuca.

Muitos adultos autistas chegam a uma espécie de morte social, como no caso do meu filho. Não porque deixaram de existir, de desejar, de sentir ou de ter potencial, mas porque vão sendo retirados da convivência.

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Terminam a escola e não encontram continuidade. Não conseguem uma oportunidade de trabalho. Não têm espaços adequados de convivência, cultura, esporte e lazer. Perdem vínculos, rotina e pertencimento. E, muitas vezes, sobra apenas a casa. Isso precisa nos incomodar.

Como mãe, essa luta tem ainda outra dimensão: não quero apenas que meu filho seja cuidado enquanto eu puder cuidar dele. Quero que ele pertença a uma sociedade que reconheça sua existência, respeite suas necessidades e lhe ofereça possibilidades. 

Uma das perguntas que mais assombram mães e pais de pessoas com deficiência continua sendo: "O que será do meu filho quando eu não estiver mais aqui?"
Imagem Edicase Brasil
Autismo SewCreamStudio | Shutterstock
A resposta não pode depender apenas das famílias. Ela precisa ser construída coletivamente, por meio de políticas públicas, instituições responsáveis, empresas comprometidas e uma sociedade disposta a incluir de verdade. 

Precisamos falar menos sobre encaixar pessoas autistas em um mundo que não foi pensado para elas e trabalhar mais para construir um mundo em que elas também tenham lugar.

Autistas adultos precisam ser vistos, ouvidos e ter oportunidades. Precisam de vínculos, pertencimento, dignidade e futuro. Porque nossos filhos crescem, e o direito deles de existir plenamente na sociedade precisa crescer junto com eles.
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