As altas temperaturas e queimadas têm causado muita preocupação em todo o país, inclusive no Espírito Santo. Ainda estamos enfrentando um aumento nas temperaturas, o que só faz crescer a apreensão. Recentemente, vivemos dias com temperaturas atingindo os 39 graus, algo incomum para a véspera da primavera. Essas variações climáticas extremas são um desafio para a saúde. Como pneumologista, vejo de perto os impactos dessas mudanças repentinas.
Quando há uma mudança brusca na temperatura, como ainda tem ocorrido dias quentes e noites mais frias, ocorre uma modificação nas características das secreções das vias aéreas, o que pode desencadear alergias preexistentes. Nesse período, as doenças mais comuns incluem gripes, resfriados, bronquiolites, sinusites, inflamações de garganta e pneumonias.
A exposição prolongada ao calor intenso também pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando o risco de desidratação severa, que, por sua vez, compromete o funcionamento adequado dos órgãos, incluindo os pulmões. Isso pode resultar em maior vulnerabilidade a doenças respiratórias. Além disso, é importante considerar os impactos no bem-estar mental, já que as altas temperaturas, combinadas com a má qualidade do ar, podem causar insônia e fadiga, afetando a disposição diária.
Além disso, a má qualidade do ar durante as ondas de calor, juntamente com o aumento da poluição atmosférica, pode agravar condições como asma e bronquite, além de desencadear novas doenças pulmonares. O calor excessivo agrava as condições respiratórias existentes e contribui para o surgimento de novas doenças respiratórias.
Com as queimadas, é preciso ligar o alerta. Além dos gases poluentes com que já convivemos no dia a dia — como os emitidos principalmente por veículos e indústrias — que facilitam infecções respiratórias como pneumonias, sinusites e tuberculose, as partículas finas presentes na fumaça das queimadas aumentam a irritação nas vias respiratórias. A poluição provoca estresse oxidativo, responsável por causar arritmias, hipertensão, coronariopatias (infarto) e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
É crucial manter a hidratação adequada para ajudar a manter as vias respiratórias úmidas e uma alimentação saudável para preservar a imunidade. Além disso, vale reforçar a importância de evitar exposição prolongada em áreas de risco, como regiões afetadas pelas queimadas e áreas urbanas com alta concentração de poluição.
Vamos enfrentar esses desafios com cuidado e precaução, mantendo sempre a atenção à saúde respiratória e cardiovascular. Em tempos de mudança climática, é fundamental estarmos mais conscientes e protegermos o nosso bem-estar.