Atire a primeira máscara quem nunca a colocou no queixo para respirar melhor, quem não a tirou para ser fotografado, quem abaixou para espirrar, quem cuspia no outro na fila do banco ao falar com uma pessoa no telefone ou quem tirou para almoçar em um restaurante. A pandemia e o isolamento social, proporcionado pelo período da proliferação da doença, chegou impondo novas formas de viver e de conviver, mas não ensinou aos seres humanos como se comportar, tampouco como deixar a individualidade para compor o coletivo.
As incoerências são incontáveis. O ser humano tem que se apresentar na fila da boate com a máscara porque sem ela não pode entrar. No entanto, ao entrar, o primeiro passo é retirar a máscara. O mesmo acontece em bares e restaurantes. Essas mesmas pessoas que vão às boates, muitas vezes, declinam para ir em hospitais visitarem parentes acamados, pois lá, segundo eles, está o foco da doença.
Enquanto uns não beijam mais as esposas com medo do contagio da Covid-19, outros beijam muitas e sucessivamente como se não houvesse amanhã. Enquanto uns passam álcool em gel de 15 em 15 minutos, outros nem lavam as mãos.
Do ponto de vista do relativismo, os valores humanos são inconstantes e dependem de uma série de circunstâncias como a educação recebida, o contexto social, o momento histórico. Para alguns, há lógica em vacinar. Já para outros não há.
Seres complexos e multifacetados. Vamos adentrar em um quesito muito particular agora que perpassa pela ética, pelos valores e visão de mundo de casa ser. Quando nascemos, nossa caixa vem vazia e, aos poucos, pais, escolas, amigos, igreja, comunidade, faculdade, trabalho vão moldando cada ser como único e dotado de valores que ficam arraigados. Os valores humanos são normas de conduta que podem determinar decisões importantes e garantir que a convivência entre as pessoas seja pacífica, honesta e justa
Os valores são construídos socialmente e vão orientar as decisões e garantir alguns princípios que regem as ações e, consequentemente, a vida humana. A formação da criança, então, vai decidir que adulto será construído e isso vai impactar nas suas decisões futuras.
Então, de nada adianta discussões políticas se o sistema de crenças e valores já estiverem programados na cabeça desde a infância. Segundo o escritor e palestrante motivacional Tony Robbins, as crenças podem ser as mais poderosas forças para criar o bem na vida de alguém. Por outro lado, crenças limitadoras podem ser devastadoras.
Com a pandemias, o sistema de crenças de cada um de nós teve uma sacudida básica. Questões bioéticas, por exemplo, surgiram a partir do conflito moral existente no poder vacinal em causar tanto o bem com a proteção imunológica, redução de impacto individual e coletivo da doença quanto o mal com os efeitos adversos indesejáveis e não controláveis.
Tomar ou não tomar a vacina? Respeitar o isolamento ou não? O que é certo e o que é errado nesse novo mundo? É preciso mudar as crenças? Quando os homens serão coerentes com seus pensamentos e propósitos? Nesse novo mundo, o fato é que temos que mudar. Espero que seja para melhor.