“Elas não tiveram a atenção adequada”, “não sabem mexer com essas novas tecnologias”, “são convencidas facilmente”... Essas são algumas das respostas padrão que ouvimos quando alguém do nosso círculo cai em algum golpe financeiro. Mas a realidade é muito mais complexa.
Imagine-se naquele clima de preparação para assistir ao próximo jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, com os amigos reunidos, aquela animação, cada um ajeitando seu lugar para sentar e poder curtir esse clima de grande decisão. Faltando 20 minutos para o início do jogo, é difícil segurar a ansiedade de todos; a energia já é outra, todo mundo focado na tela ao aguardo do pontapé inicial.
Essa é a hora de encher o copo, ajustar a cadeira, checar se não há nada impedindo sua visão e, por alguns instantes, checar as últimas mensagens no celular. Ao abrir o WhatsApp, há uma mensagem do seu banco, dizendo: “Houve uma tentativa de compra suspeita em seu cartão de crédito. Precisamos realizar o bloqueio do seu cartão para evitar que novas transações sejam realizadas.” Na sequência, envia uma pergunta: “Precisamos solucionar urgente, podemos ligar para você?”.
Sem pensar muito, pois você só tem agora uns 15 minutos para resolver isso e voltar para sua posição, você confirma e se afasta ligeiramente para ouvir a ligação. Ao atender, já consegue identificar a música de fundo que sempre escuta quando liga para seu banco.
A atendente o chama pelo nome, faz referência à sua conta corrente e agência, e diz que está fazendo o contato em nome da segurança do cliente - um papel que o banco não negocia. Por mais que você tenha pressa para acessar o assunto e voltar ao jogo, a atendente faz toda a explicação do problema, de forma técnica e estritamente profissional.
Para concluir essa operação, basta apenas que você acesse o aplicativo do banco em seu celular e forneça o seu token para a atendente.
“Ufa, é simples e rápido”, você pensa. A partir daí, gera o token, repassa os dados para a atendente e, pronto: golpe concluído com sucesso! Com seus dados e token em mãos, os golpistas assumem o controle de suas transações financeiras e lesam seu patrimônio.
A simulação apresentada acima é um caso fictício, mas construído a partir de relatos reais de indivíduos que sofreram esse tipo de golpe. Todos eles mencionam fatores em comum: a música de fundo era idêntica à do banco, a voz e a linguagem da atendente eram muito profissionais, e o pretexto para o contato parecia legítimo (proteger a conta contra fraudes).
Eles têm razão quando dizem isso. Atualmente, existe um processo denominado Engenharia Social, um conjunto de ações tomadas pelos golpistas para fazer com que a situação envolvendo o indivíduo lesado pareça real e traga a ele a sensação de segurança, pois o cenário é idêntico àquele vivido em seu cotidiano. Para somar a isso, os golpistas buscam realizar os contatos em momentos nos quais o indivíduo esteja mais vulnerável e, possivelmente, mais distraído.
Por isso o destaque, na simulação acima, para os eventos que poderão ocorrer em momentos próximos aos jogos da Copa, quando os brasileiros estarão muito envolvidos emocionalmente com a energia do evento.
Acima de tudo, é essencial ratificar que instituições sérias não solicitam dados de token e senhas dos clientes por telefone ou mensagens. Não forneça essas informações jamais em contatos feitos por esses canais.
Em último caso, desligue a ligação e ligue você mesmo para o número que você tem salvo em seu celular relativo àquela pessoa ou instituição. Para aumentar ainda mais sua segurança nesse sentido, nunca faça Pix ou transferências para pessoas que lhe peçam isso por mensagem. Certifique-se de que é a própria pessoa quem está solicitando e, para isso, nada melhor do que confirmar pessoalmente.
Os golpistas se apoderam das novas tecnologias e dos dados que fornecemos em vários cadastros em nosso dia a dia. Cabe a nós usarmos as ferramentas de proteção e aprovação que os aplicativos nos fornecem, tais como senhas, tokens e códigos. Mantenha esses dados sob absoluto sigilo.