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Flávio Stoliar

Artigo de Opinião

Inovação

Antes do isolamento social, já vivíamos o "lockdown" intelectual

Ele é resultado da nossa crescente incapacidade em dialogar, trocar e refletir e da nossa total falta de empatia, que não nos deixa mais perceber o mundo como ele é
Flávio Stoliar

Publicado em 28 de Maio de 2020 às 10:00

Publicado em 

28 mai 2020 às 10:00
Mulher com máscara para se proteger do coronavírus em casa; lockdown, isolamento, confinamento
Mulher com máscara para se proteger do coronavírus Crédito: Freepik
O isolamento social que estamos vivendo está nos impondo uma série de dificuldades e novos desafios. Infelizmente, o que mais temos visto por aí é gente em estado letárgico, apenas reclamando da situação e apontando dedos para todos os lados, na busca de culpados e heróis. Só que bem antes deste “lockdown” atual, já vivíamos um outro confinamento muito pior, o intelectual.
O lockdown intelectual é o resultado direto do nosso desinteresse por determinados assuntos e temas. Quem diz o que é certo ou errado aqueles mais relevantes, construtivos e positivos. Ele é o produto da nossa crescente incapacidade em dialogar, trocar e refletir e da nossa total falta de empatia, que não nos deixa mais perceber o mundo como ele é. E, acima de tudo, é o reflexo do nosso incompreensível ódio por aquele que pensa diferente e, muitas vezes, até por aquilo que é novo.
A boa notícia é que, por incrível que pareça, esse afastamento compulsório está nos ajudando (e muito) a nos libertar desse lockdown intelectual e nos fazer evoluir como pessoas e sociedade. Em contraponto aos que estão “à espera de um milagre”, tem muita gente correndo atrás de resolver esses novos desafios do mundo. E, para isso, finalmente, estão traçando o óbvio e necessário caminho do diálogo, do entendimento, da colaboração e da inovação. Vamos aos exemplos:
Os governos estão sentindo na pele, e da pior forma possível, as consequências de suas péssimas decisões e irresponsabilidades. A transformação de nossos estádios em hospitais está escancarando que nossas prioridades estavam totalmente erradas, que o dinheiro público foi rasgado e que a conta a ser paga é ainda mais alta do que se imaginava.
Mas, para nossa sorte, o empresariado está mergulhado de cabeça na busca por soluções para a atual situação. O Estado brasileiro quebrou em todas as esferas e quem está bancando e operacionalizando a maior parte das ações emergenciais são as instituições privadas. E esse é um ponto que certamente terá de mudar na era pós-Covid.
Os governos terão de ter uma relação mais saudável, menos promíscua, com as corporações. O trabalho conjunto e contínuo dessas pessoas e instituições é essencial para o desenvolvimento de nossa sociedade. As reformas tributária, trabalhista e econômica têm de acontecer, com urgência e com a participação de todos. Não podemos esperar as situações chegarem ao limite para tomarmos uma atitude.
Como diz o velho ditado: “A necessidade aguça o engenho”. E observando o epicentro da pandemia, ou seja, nossos hospitais, estamos vendo exemplos maravilhosos de criação e colaboração. A administração do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), se uniu à Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI-UERJ) para criar e produzir equipamentos médicos em impressoras 3D, a um custo infinitamente menor. Máscaras, laringoscópios, espaçador para o elástico de máscaras, placas de sinalização, entre outros, são os itens em produção. Tenho certeza de que esse é apenas o nascimento de uma relação sólida e positiva que trará muitos frutos e servirá de exemplo para toda a nossa sociedade.
Por último, falando da área em que atuo, o processo de inovação no mundo corporativo, que já era algo percebido como inevitável, mas ainda traçava um caminho extremamente moroso, foi acelerado como nunca. Esse afastamento explicitou sua urgência e, apesar de toda pressa e escassez de recursos, finalmente estão lhe dando a devida atenção. Mais do que nunca, as empresas estão buscando inovar seus processos de apoio às vendas, ensino, comunicação e integração/engajamento de equipes e comunidades.
O mundo mudou completamente e vai continuar nesse movimento, cada vez mais rápido. Após essa crise sem precedentes, infelizmente, só vai sobreviver quem se adaptar rapidamente ao novo cenário e às novas demandas desta sociedade em mutação. Portanto, fiquem atentos às novidades e tendências. Busquem e ofereçam ajuda, se arrisquem e saiam da mesmice, pois a inovação não é mais uma opção, ela é o caminho único para a sobrevivência e prosperidade. E esse caminho é irreversível.
O autor é formado em Administração de Empresas pela PUC-Rio, com especialização em Finanças pela COPPEAD-UFRJ.  É CEO na PlayerUm (https://playerum.com.br/)
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