Analista de Distribuição / [email protected]
Publicado em 3 de setembro de 2023 às 00:20
O conceito de agricultor familiar, conforme a Lei 11.326, é aquele que pratica atividades no meio rural, utiliza mão de obra da própria família em uma propriedade gerenciada por eles e em que a atividade agropecuária é a principal fonte de renda. No Espírito Santo, ela é forte e diversificada. Com produção, principalmente, de café e banana, o território em que esse modelo de gestão está presente é bem mais da metade do total de propriedades rurais capixabas e agrega valor aos produtos. >
No Estado, existem cerca de 110 mil propriedades rurais e, destas, 75% são de agricultura familiar, somando um milhão de hectares, segundo dados do Censo Agropecuário. Esses números dão uma noção da grandeza e importância da agricultura familiar forte e diversificada em todas as regiões do ES.>
O Espírito Santo, apesar de pequeno em dimensões territoriais, é um gigante da agricultura familiar. Para o secretário de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Enio Bergoli, a força é o que move o agro no ES, responsável por grande parte dos alimentos disponíveis para o consumo da população capixaba. O chefe da pasta estadual afirma que a produção é altamente inserida no mercado, principalmente com café, banana e hortaliças.>
“Três a cada quatro estabelecimentos rurais são de agricultura familiar. Esses produtores são determinantes na produção e na comercialização de muitos produtos aqui da agropecuária do Espírito Santo. Por isso, estamos valorizando ainda mais essa categoria, criamos uma Subsecretaria de Agricultura Familiar para organizar e direcionar ações para essas pessoas que mais necessitam do setor público. Nossos produtos são comercializados nos demais Estados do Brasil e em mais de 100 países”, afirma o secretário. >
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Para auxiliar os agricultores familiares, a Seag conta com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do ES (Idaf) e as Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa). Bergoli explica que um programa de incentivo à agricultura familiar está em desenvolvimento e deve ser entregue ainda em 2023. A intenção é apoiar e elevar a qualidade das produções com ações de sustentabilidade, assistência técnica e agroindustrialização de produtos provenientes da função familiar. >
“O padrão de consumo mudou muito, principalmente no pós-pandemia. Hoje, os consumidores querem, além da qualidade, saber se esse produto é feito respeitando o meio ambiente, cumprindo obrigações sociais e trabalhistas. Temos uma meta ousada de que, em 10 anos, 35 mil propriedades estejam adequadas em um currículo mínimo de critérios de sustentabilidade, aptas para serem certificadas pelas maiores certificações nacionais e internacionais”, ressalta o secretário. >
Com tanta mudança e tecnologia presentes em todos os meios de produção, os conhecimentos do campo, antes repassados de geração em geração, e ainda tão importantes, tornam-se agora uma troca de experiências e informações onde os pais e os filhos ensinam e aprendem, simultaneamente. >
Essa é a história que pode ser contada pela família do agricultor Joselino Menegueti, de 71 anos, que fala com orgulho sobre a produção que possui no sítio, em Rancho Dantas, no município de Brejetuba, região Sudoeste Serrana do ES. Dos cinco filhos, um permanece na mesma propriedade e trabalha com ele na lavoura, além da esposa e da nora. O produtor considera o ofício de grande importância, além de ajudar a manter a família unida. >
“Estamos no dia a dia do serviço sempre juntos. É bom estar perto, um ajuda o outro e a gente, que teve pouco estudo, aprende as mudanças com a geração mais nova. Também é muito bom ver eles evoluindo”, diz. >
Segundo Joselino, o principal ensinamento que recebeu dos pais foi honestidade. Já na agricultura familiar, foi a força de vontade e o cuidado com o manejo. Agora, ele segue aprendendo, mas com o próprio filho, que faz a gestão de tudo o que produzem.>
Na prática do formato de produção está a família Wruck, que mora na Comunidade de Rio Ponte, em Domingos Martins. Após pensar em sair de casa para estudar, o filho mais novo da família, Joelson Wruck, de 24 anos, acabou recebendo mais que um incentivo para ficar: a produção familiar evoluiu e ele se especializou na área da cafeicultura. Com torrefação e venda própria e uma marca já consolidada, o jovem permanece onde queria ficar desde o início, compartilhando conhecimento e aprendendo a função de produtor rural com a família. >
Joelson Wruck
Cafeicultor de agricultura familiarJoelson explica que a família trabalha com o que dá conta. Os pais e o irmão trabalham diretamente no cultivo e ele, na produção e venda, mas que, quando é necessário, todos vão para as demais funções.>
“Trabalhamos eu, meu pai, minha mãe e meu irmão com café e outras culturas, como feijão, milho, hortaliças e frutas, que são para consumo da família. O nosso café, que é o carro-chefe, tem uma produção orgânica e com o processo todo dentro da propriedade, já que construímos uma torrefação. Assim, entregamos direto para o consumidor”, destaca.>
Cerca de 130 mil famílias trabalham com cafeicultura no ES, segundo o Incaper. Dessas, a maioria desempenha a agricultura familiar. Nesse contexto, as cooperativas no Estado têm grande importância no apoio e desenvolvimento das famílias. O presidente da Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello, explica que a relação entre cooperativa e cooperado é uma via de mão dupla.>
“O quadro social da cooperativa é composto, predominantemente, por pequenos e médios produtores, que contribuem significativamente com os números de produção e entrega de café, o que faz com que a relação estabelecida entre cooperativa e cooperado torne-se uma via de mão dupla. Por esses fatores, é indispensável buscar apoiar essas famílias que, com ou sem maquinários, irão se manter no negócio”, afirma. >
Além dos números, as ações da cooperativa estão presentes em todas as etapas do processo produtivo, oferecendo conhecimento técnico e gerencial para as propriedades. Hoje, o ES é referência nacional em agricultura familiar e os produtores se mostram abertos ao novo, o que garante um futuro brilhante à produção capixaba. >
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