
Thiago Goulart*
2018 foi um ano de muitas indecisões para o cenário político e econômico brasileiro. Se levarmos em conta a greve dos caminhoneiros ocorrida em maio, aliada ao baixo crescimento do PIB e à guerra comercial entre China e Estados Unidos, poderíamos traçar uma paisagem turva para o futuro.
Apesar dos contratempos, está aberta uma janela de oportunidades tanto em vista do mercado espírito-santense, quanto nacional. Localmente, o ajuste fiscal foi uma das chaves para mantermos o equilíbrio das contas orçamentárias, sendo o único Estado a garantir nota máxima no Tesouro Nacional. Isso nos revela boas perspectivas quanto à atração de novos investimentos que estão por vir.
Dados do Panorama Econômico do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) demonstraram que, apesar de o PIB capixaba, no 3º trimestre, ter apresentado uma retração de -1,7% referente ao trimestre anterior, o crescimento da economia estadual no acumulado (últimos 12 meses) foi de R$ 118,8 bilhões, ou seja, um crescimento de 2%, enquanto no Brasil foi de +1,4%.
Nacionalmente, as bases para a retomada econômica estão colocadas, além do fato de que a recessão ficou para trás. É preciso destacar a valorização da bolsa, do Real, além dos juros que continuam baixos. Em sua última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, suspendendo a ameaça feita desde setembro sobre possível aperto gradual da política monetária à frente.
Para todos os fins, é importante monitorar, em 2019, alguns fatores cruciais que devem influenciar tanto a economia brasileira, quanto a capixaba, levando-se em conta os investimentos que podem ser realizados e os riscos inerentes.
Aumento dos juros americanos: a previsão é que a taxa chegue a 3% em 2019. Se subir mais que o esperado, poderá haver saída de recursos dos países emergentes.
Desaceleração da China: espera-se que a economia chinesa cresça menos em 2019, entre 6% e 6,5%. Mas se o país for prejudicado pele guerra comercial com os Estados Unidos e a expansão for menor, haverá reflexos na economia mundial, especialmente no Brasil.
Novo governo no Brasil: e expectativa é que a reforma da Previdência seja aprovada e que o ministro Paulo Guedes consiga colocar em prática outras medidas de ajuste fiscal. Caso não aconteça, as perspectivas econômicas podem se deteriorar.
De todo modo, diante dos solavancos ocorridos em 2018, a economia brasileira parece ter entrado nos trilhos e a capixaba se tornado mais sólida.
*O autor é professor e jornalista