Em 1868, a princesa Isabel foi a Aparecida do Norte clamar a Nossa Senhora por um filho. Após dar à luz a três herdeiros, Isabel retornou à cidade em novembro de 1888, um ano antes da Proclamação da República, que lhe retiraria o trono. Ali, homenageou a padroeira com uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis e um manto azul.
Em 1904, com a mesma coroa, o Vaticano reconheceu Nossa Senhora Aparecida como a “Rainha do Brasil”, resultado da influência de Isabel junto à cúpula romana, segundo o historiador Paulo Rezzutti, e devido à grande devoção popular iniciada em 1717. À época, a Família Real estava exilada na Europa, após ser expulsa do Brasil em 1889. Simbolicamente, a princesa transferiu sua coroa real à santa Aparecida. Por ocasião da visita do Papa João Paulo II, em 1980, o presidente João Batista Figueiredo declarou feriado nacional dia 12 de outubro em culto à padroeira.
Segundo a tradição, porém, o encontro da imagem sagrada ocorreu dia 17 de outubro. O dia 12, contudo, é símbolo de nossa História. Foi em 12 de outubro de 1492 que Cristóvão Colombo chegou à América; em 12 de outubro de 1798 nasceu D. Pedro I, também devoto; em 1822, ocorreu a aclamação oficial do imperador. À “Rainha do Brasil”, então, foi reservado um dia simbólico.
Segundo o jornalista Rodrigo Alvarez, a imagem de Nossa Senhora provavelmente foi descartada no Rio Paraíba por estar quebrada, devido à superstição de que, assim, daria azar. O longo tempo nas águas teria deteriorado sua cor original. A imagem sofreu um atentado em 1978 que a partiu em pedaços, e um roubo em 1979, que danificou sua cor original. Cada tentativa de destruição, porém, só aumentou a devoção popular, que hoje leva 12 milhões de romeiros por ano ao Santuário, e atraiu os três últimos pontífices.
Aparecida é, pois, testemunha de nossa História, símbolo de nosso povo e referência para o mundo. Em um país dividido, a Rainha do Brasil exorta-nos a mantermos firmes na esperança, na fé e no amor ao próximo. Haja o que houver. Seja como for.