Um dos grandes pilares da economia capixaba, com participação de cerca de 30% no PIB estadual, e responsável por tirar o país da recessão em 2017, o agronegócio enfrenta um grave desafio: déficit de mão obra, fator que está afetando o seu potencial de crescimento.
O apagão de recursos humanos no meio rural contrasta com o quadro de 240 mil pessoas desempregadas no Espírito Santo e com a desocupação de 26 milhões de cidadãos no país. Sobra trabalho no campo e faltam vagas de emprego nos centros urbanos. Nem todo mundo aceita morar fora da cidade. A migração das famílias para os centros “mais adiantados” tirou uma importante força produtiva das fazendas.
Há outras dificuldades na contratação de profissionais. Uma é a cultura do imediatismo. O trabalhador rural tem direitos assegurados por lei – como carteira assinada, inscrição no INSS, recolhimento de FGTS e 13º salário e benefício da aposentadoria. No entanto, muitos preferem prestar serviços por dia, ou por semana, para garantir o recebimento do dinheiro no curto prazo.
A atividade periódica gera rotatividade e implica custos adicionais. Mesmo que em alguns casos a produtividade não seja afetada, há dispêndios no treinamento de novos contratados. Outro entrave à produção é a rejeição de muitos à tarefa sazonal, para colheita de safras. Preferem se manter apenas com auxílio do governo, segundo relatos à reportagem de A GAZETA. Nesse cenário, produtores de áreas planas substituem homens por máquinas.
É necessário maior eficiência do Estado. A infraestrutura é precária. Más condições de estradas emperram e encarecem o escoamento de produtos rurais. Também acumulam-se queixas sobre sistema de saúde e acesso de crianças às escolas. Esse conjunto de problemas faz o campo menor em renda e em bem-estar social.