Os próximos dias serão decisivos para o futuro de Vitória: a Câmara Municipal deverá votar a proposta de revisão do Plano Diretor Urbano (PDU), que estabelece as normas relativas ao uso do solo do município nos próximos dez anos. Trata-se de um documento elaborado pela prefeitura ao longo de meses, com a participação de muita gente representando interesses e expectativas das mais diversas e, por vezes, conflitantes. Eu mesmo estive em animadas reuniões para debater as condições de ocupação da gleba destinada ao Parque Tecnológico, em Goiabeiras. Convidado, estive na Câmara para opinar sobre esse tema em plenário e nos gabinetes de dois vereadores, sempre junto com outros dirigentes de uma associação de empresas do setor de tecnologia.
Tem gente operando para permitir o uso residencial naquela pequena e estratégica gleba, exatamente quando o parque começa, finalmente, a ganhar concretude, com a construção do Centro de Inovação
Dias atrás, acompanhei, calado, uma audiência organizada pela Comissão de Políticas Públicas da Câmara Municipal. Saí bem desanimado, ao confirmar que existe uma movimentação orquestrada para anular o que está consagrado no PDU de Vitória desde 1992: a designação da última gleba de terra disponível no município para instalação do Parque Tecnológico, um instrumento poderoso para estimular a realização, em larga escala, de atividades ligadas à produção de bens e serviços densos em conhecimentos técnicos, inteligência e criatividade. O fato é que tem gente operando para permitir o uso residencial naquela pequena e estratégica gleba, exatamente quando o parque começa, finalmente, a ganhar concretude, com a construção do Centro de Inovação.
De lá pra cá, me dei conta de que a expressão “sinto muito” não me saía da cabeça, sempre presentes em frases pesarosas por perda relevante e em desajeitados pedidos de desculpas aos que também embarcaram em ideia tão promissora. Passado o baixo astral, agora me vejo na obrigação de usá-la em manifestações formais de licença para discordar de argumentações inconsistentes dos que resolveram remar contra a maré e emparedar o futuro da cidade. Aliás, acho bom que cada um converse com seu vereador em defesa do parque. Antes que seja tarde.
*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro