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São Mateus tem amplo espaço para crescer
São Mateus tem amplo espaço para crescer. Crédito: Altis drone/pmsm/divulgação

Em busca de um futuro dinâmico para o Nordeste capixaba

Investimentos em infraestrutura são importantes para o Nordeste do ES despontar no turismo e atrair novos negócios

Publicado em 24/11/2021 às 04h50

O que os municípios de Boa Esperança, Conceição da Barra, Jaguaré, Montanha, Mucurici, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo e São Mateus têm em comum? Além de todos estarem na microrregião Nordeste do Espírito Santo, eles fazem parte da área de influência da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

No território do programa, há um benefício fiscal que possibilita à empresa usufruir de condições diferenciadas quando opta por se instalar nas cidades contempladas, permitindo maior rentabilidade ao negócio e garantindo condições de competitividade no mercado. Com isso, os municípios inscritos nesse regime se tornam mais atrativos para os investidores.

Segundo economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Heldo Siqueira, é necessário entender a dinâmica do desenvolvimento econômico para conhecer melhor as vantagens da Sudene.

Siqueira explica que uma região pode desenvolver-se a partir de determinada indústria. Essa indústria pode ser extrativa, como a de petróleo, minério de ferro ou mármore e granito, ou de bens de consumo semiduráveis ou duráveis, como móveis, veículos ou outros bens.

“Outro aspecto relevante do desenvolvimento diz respeito à própria construção dos espaços econômicos. A implantação de atividades produtivas incentiva a indústria da construção que emprega trabalhadores e gera renda. Caso seja possível manter essa renda localmente, com a contratação de trabalhadores e com o fornecimento de insumos pelos produtores locais, pode-se criar uma dinâmica que traga desenvolvimento”, aponta.

É essa dinâmica vem sendo criada no Nordeste capixaba por conta dos benefícios da Sudene. O superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Pedro Rigo, comenta que existem mais de 20,8 mil empresas, de todos os portes, instaladas na região. “O Nordeste capixaba vive uma economia diversificada, forte e impulsionada pela Sudene. De fato, ele vem ganhando muito espaço na economia capixaba, principalmente nos últimos 15 anos”, acrescenta.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a microrregião contribui com 3,99% do Produto Interno Bruto do Espírito Santo, tendo espaço para disputar mais peso na geração de riquezas.

Quando olhamos a composição do PIB da região, vemos que o setor de serviços é responsável por 70% do saldo. Em seguida, temos a agropecuária com 12% e a indústria com 10%. Os outros 8% correspondem aos impostos líquidos de subsídios sobre produtos.

O economista e coordenador-geral da Faculdade Pio XII, Marcelo Loyola, destaca que a silvicultura também influencia fortemente a microrregião Nordeste. Ele complementa que as atividades de petróleo e gás, café conilon, pecuária mista, cana-de-açúcar e seu processamento (usinas de álcool) e fruticultura diversificada também são fortes, com abundância de fornecedores de bens e serviços para a indústria local, inclusive na agricultura.

“A área de convergência é São Mateus, destacando-se como polo de fornecimento de bens e serviços, especialmente na área da educação, com universidades pública e privadas, atraindo estudantes inclusive de outros Estados. Grandes empreendimentos foram instalados ou estão em fase de implantação na cidade, tais como fábricas de cobre, MDF e ônibus”, comenta.

Loyola ainda cita que a base econômica da região e o seu dinamismo estão muito ligados às atividades de apoio à exploração de gás e petróleo, com potencia de crescimento.

“Outro setor que aparece como alternativa econômica é o turismo, porém há a necessidade de investimentos em infraestrutura e equipamentos. A região está muito conectada aos municípios do Sul da Bahia, o que contribuiu ainda na geração de oportunidades.”

Siqueira lembra que a região tem uma pecuária relevante e com capacidade de se desenvolver nos municípios de Montanha e Jaguaré. Já no caso de Conceição da Barra, o turismo é muito importante, além da ampliação dos plantios de celulose, com investimentos da Suzano.

“No caso de São Mateus, há algumas atividades vinculadas à indústria de exploração do petróleo, além do turismo. Essa região está na divisa com o Litoral Sul da Bahia, onde o turismo é bastante desenvolvido, e pode se aproveitar dessa proximidade para atender uma parte da demanda dos viajantes”, complementa.

Desafios nas mãos

O economista Marcelo Loyola comenta que ainda há muitos desafios para a microrregião. Entre eles está o desenvolvimento de fontes renováveis de energia, exploração de novas atividades econômicas (sal-gema, energia eólica, bagaço de cana). “É importante investir ainda na ampliação da sua base logística nos modais: aeroportuário, portuário e rodoviário, a fim de atrair e estimular a instalação de empresas para apoio às atividades de exploração e produção do setor de petróleo e gás.”

A diretora de Estudos e Pesquisas do IJSN, Latussa Laranja, lembra que a microrregião representa mais de 17% de todo o território do Espírito Santo, porém, pouco mais de 7% da população capixaba vive nela.

“Essa é uma microrregião com percentual elevado de coleta de lixo, o que já é meio caminho andado para se ter um bom destino final para os resíduos. Ter menos lixo nas ruas, significa diminuir vetores de doenças ligadas à ausência do saneamento básico. Mas os municípios ainda podem melhorar na coleta de esgoto, que está, em média, em 55% nas cidades e um pouco abaixo dos índices do Estado. Lembrando que essas melhorias vão se refletir na coleta de água, nas praias e zonas pesqueiras”, comenta.

Produção de sal: 11 reservas de sal-gema estão aptas para serem ofertadas em leilão da Agência Nacional de Mineração (ANM)
Produção de sal: 11 reservas de sal-gema estão aptas para serem ofertadas em leilão da Agência Nacional de Mineração (ANM). Crédito: Tawatchai/Freepik

A esperança que vem de pedrinhas brilhantes

Em Conceição da Barra, no Nordeste capixaba, uma riqueza intocada há mais de 40 anos agora tem previsão para começar a ser explorada. O sal-gema, descoberto no município em 1976, finalmente foi a leilão, e a expectativa com a exploração já movimenta a economia local e também deve atrair negócios para as cidades vizinhas que compõem a microrregião.

Onze áreas do mineral foram arrematadas em leilão realizado em setembro de 2021 pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Quatro empresas compraram os blocos e ficaram responsáveis por realizar as atividades nas áreas, onde estão as maiores jazidas da América Latina.

O presidente do Grupo Gestor Municipal Sal-Gema (GGMS), Nedson Raimundo da Silva Filho, explica que após o início de dezembro, quando vence o prazo para o pagamento das empresas que arremataram as áreas, será finalizado todo o processo e será divulgada a ata final pela ANM para que se iniciem assim os investimentos.

Nos próximos três primeiros anos, quando serão realizadas as pesquisas, a expectativa da Federação das Indústria do Espírito Santo (Findes) é de que o Espírito Santo receba mais de R$ 170 milhões em investimentos.

O grupo gestor do sal-gema já se reuniu com duas das quatro empresas vencedoras, buscando saber quais investimentos de curto e médio prazo serão feitos. O presidente da organização explica que, nos próximos anos, serão realizadas as p̱esquisas para só depois começarem as atividades de exploração.

“É importante ressaltar que as empresas participaram de leilão para a concessão de pesquisas, tendo dois anos de prazo, podendo se estender por mais um ano, para entrarem com um requerimento de exploração. Daí devem apresentar à ANM um plano para pleitear a concessão de lavra e aí sim iniciar a exploração dessa riqueza mineral”, descreve o presidente.

Marco zero da produção de sal-gema em Conceição da Barra
Marco zero da produção de sal-gema em Conceição da Barra. Crédito: Nedson Raimundo da Silva Filho/Divulgação

Cidade se prepara

Com os olhos das indústrias voltados para as jazidas, Conceição da Barra se prepara para receber os novos negócios. O GGMS está consolidando estudos para qualificar os munícipes com cursos profissionalizantes. Além disso, está prevista a criação de um sistema de cadastro municipal para atender às empresas. A proposta é firmar parcerias com as empreiteiras para a contratação da mão de obra local.

Além dos caminhos criados especificamente para o mercado do sal-gema, a prefeitura promulgou a lei de incentivo fiscal. A medida prevê a doação de áreas de terras desnecessárias, a redução de impostos sobre serviços, podendo chegar até 2% do ISS durante 10 anos; e a redução do ITB, total ou parcial.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José Otávio Malta Pereira, explica que o município também está viabilizando um polo industrial para o recebimento das empresas secundárias à exploração de sal-gema. “Nós estamos muito esperançosos, a vinda dessas empresas para o nosso município trará grandes benefícios para a empregabilidade e movimentará ainda o comércio”, evidencia.

Empregos

A expectativa é que a exploração gere muitos empregos e renda, números que ainda estão sendo estimados e calculados pela prefeitura.

Como o sal-gema é uma matéria-prima para a criação de outros produtos, a cidade estuda maneiras de fazer com que venham mais recursos, além do advindo com a compensação financeira de exploração do mineral.

“Trabalhamos fortemente para que o polo cloroquímico vire uma realidade e que venham mais indústrias para a nossa cidade e região”, frisa Nedson Raimundo. “Estamos focados em formar um polo industrial em nosso município”, completa. ;

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