Os fogos pipocam no céu. É ano novo! Aliás, é Ano Novo mesmo? O que podemos esperar de novo? A novidade que acompanha o novo vem sempre carregada de transformações; do contrário, o novo não nasce, ele fica soterrado no passado e nos antigos vícios. Então, a pergunta do que esperar de 2020 pode ser compreendida pela indagação “o que posso transformar para 2020 ser novo”? Aliás atitude de fazer algo novo é minha, e não da naturalidade do tempo, que muda em apenas um segundo.
Passa ano e entra ano e temos mais facilidade de pular ondas do que contornar problemas; Preferimos guardar caroços de uva, do que traçar novos objetivos, para quiçá, ter mais dinheiro, mais sucesso. Preferimos comer carne de porco, porque fuça pra frente, do que pensar positivo e tocar a vida. Sempre, ou quase sempre, sentimos e criamos necessidade de amuletos e superstições para substituir aquilo que só depende de nós para acontecer. Entra ano e sai ano, e os comportamentos não se inovam e não fazem o novo. É bem melhor sustentar superstição do que acreditar em nós mesmos.
O novo, para ser novo de fato, precisa desinstalar. Desinstalar significa sair, retirar-se das instalações, do conforto, do prazer, do comodismo, do comum, da mesmice. Mais ainda: desinstalar implica numa atitude que desconforta mais que conforta. Mas tudo o que queremos é o dito conforto, mesmo que ele não nos faça tão bem como imaginamos que ele faça. Carlos Drummond de Andrade já dizia: “Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.
A voz de Drummond se levanta sobre a cultura do conforto e nos convida a um deslocamento. Deveria ser comum no Ano Novo comemorarmos nosso planejamento do novo ano que se inicia, e que vai nos impelir a fazer um movimento diferente do que o do ano que se passou, que vai nos forçar a dar passos em direção a um propósito, ao invés de darmos pulos nas ondas do mar.
Grifo: se você pula ondas movido por uma fé, continue a pular, mas se você pula ondas simplesmente porque está indo na onda do outro que faz isso, saiba que você precisa de uma atitude, do contrário poderá apreciar a passagem de 80 anos e nenhum deles será novo para você, porque em nenhum deles você buscou ser novo.