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José Carlos Corrêa

Anistia aos PMs culpados pela greve é um desrespeito à sociedade

Nas apurações da greve da PM, ficaram evidentes motivos pessoais e políticos. E agora querem dar anistia

Publicado em 30 de Novembro de 2018 às 21:21

Públicado em 

30 nov 2018 às 21:21
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Mulheres de PMs em frente ao quartel de Maruípe Crédito: Guilherme Ferrari

De 4 a 25 de fevereiro do ano passado, o Espírito Santo viveu um caos completo. Os policiais militares entraram em greve e, como são proibidos de fazer isto pela legislação, usaram “um subterfúrgio” pensando “que a população é boba” – expressão utilizada na época por um procurador da República – para descaracterizá-la, utilizando mulheres que se intitulavam parentes e/ou amigos dos policiais para bloquear a entrada e saída dos quartéis.

Sem policiamento, 87 mortes ocorreram nos primeiros cinco dias. Durante o período da greve, era difícil até contar os assassinatos. Segundo informou a Secretaria de Estado da Segurança Pública à ONU, eles foram 224. Metade dos mortos não tinha uma única passagem pela polícia. Foram incontáveis os outros crimes cometidos no período da greve, entre eles latrocínios, incêndios a ônibus, furtos, roubos e ameaças. Segundo a Federação do Comércio, 300 lojas foram saqueadas acumulando R$ 30 milhões em prejuízos. Contando os dias de comércio fechado, os prejuízos superaram R$ 300 milhões.

O Espírito Santo, que vivia um ciclo virtuoso de redução da quantidade de homicídios – passando de 1.127 em 2012 para 873 em 2016 –, viu esta estatística ter uma inflexão em 2017, quando foram registrados 999 assassinatos. A sociedade sofreu as consequências de uma greve ilegal e absurda que, além do desrespeito às leis e às autoridades constituídas, representou uma quebra de valores caros à instituição militar como são a hierarquia e a disciplina.

O governo agiu como deveria. Requisitou tropas federais, buscou dialogar com equilíbrio e conseguiu restabelecer a ordem apesar da dificuldade de encontrar interlocutores que representassem de fato os grevistas. E agiu dentro da lei ao procurar responsabilizar os autores das transgressões. O Ministério Público fez mais de 700 denúncias de crimes e 2,5 mil policiais são alvos de inquéritos. Nas apurações ficaram evidentes, na greve, as motivações pessoais e políticas que só se importam com os seus interesses e não com a população.

Esses interesses não demoraram a propor anistia para os responsáveis pela greve. Desde o ano passado, tramita no Congresso, nesse sentido, uma proposta de autoria do deputado Alberto Fraga (DF), da conhecida “bancada da bala”, com o aval do deputado Carlos Manato (ES). Por pouco o projeto não foi votado na última terça-feira, 27. Quatro deputados capixabas já se manifestaram a favor da anistia. E até o governador eleito anuncia que fará “tudo o que estiver no alcance do governo para que não haja punição”. E quem se importa com a população?

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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