Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Anistia a PMs pode enviar sinal equivocado à tropa e à sociedade
Opinião da Gazeta

Anistia a PMs pode enviar sinal equivocado à tropa e à sociedade

Governador eleito deve examinar com bastante critério a promessa de não punir militares que respondem a processos administrativos por participação na greve de 2017

Publicado em 22 de Novembro de 2018 às 21:43

Públicado em 

22 nov 2018 às 21:43

Colunista

Mulheres de PMs bloqueiam entrada do Quartel de Maruípe, em 2017 Crédito: Gazeta Online

“Aquilo que estiver ao alcance do governo do Estado, o governo resolverá para que não haja punição àqueles policiais”, disse ontem o próximo chefe do Executivo estadual, Renato Casagrande, sobre o que chamou de “movimento de fevereiro”, ao prometer uma anistia aos militares que respondem a processos administrativos por participação na greve de 2017.

Foi naquele fevereiro que o Espírito Santo se tornou uma terra sem lei após os PMs, encampados por um protesto de suas companheiras, deixarem de sair às ruas. A população, desguarnecida, viveu dias de terror. Os capixabas ficaram reféns dentro de casa, enquanto no ambiente externo ônibus eram queimados; comércios, arrombados; e vidas, ceifadas. Foram 219 assassinatos em um dos meses mais sangrentos do Estado. Estabelecimentos que oferecem serviços essenciais, como hospitais, postos de saúde, escolas e supermercados, ficaram fechados. As perdas do comércio chegaram a R$ 300 milhões.

“A legalidade vai dizer. Se puder ser no conjunto, será no conjunto. Se o policial foi punido por aquele movimento de fevereiro, considerando o erro das duas partes (policiais e governo), o governo resolverá isso”, ressaltou ontem Casagrande, enquanto apresentava novos membros da futura gestão. Ele escolheu um coronel alinhado à promessa de anistia para ser o comandante-geral da Polícia Militar.

O governador eleito, no entanto, deve examinar com bastante critério essa medida anunciada para não esbarrar justamente na legalidade citada por ele. O artigo 142 da Constituição Federal é taxativo ao vedar que militares façam greve.

Investigação da 26ª Promotoria Cível de Vitória, do Ministério Público Estadual, apontou indícios de que a idealização e a organização da greve ficaram a cargo das associações que representam os militares – as entidades negam.

A própria PM também abriu investigações internas para apurar situações como a queima da farda e incitação ao aquartelamento e atitudes que ferem a disciplina e a segurança da categoria. Após processos administrativos, 25 militares foram expulsos.

Casagrande e o futuro comando da PM devem estar atentos para não enviar um sinal equivocado à tropa, para não abalar a hierarquia e deixar sombra de estímulo a futuras insubordinações, nem à população, que aguarda respostas e também espera que esse passado assombroso sirva de lição e não se repita. É preciso que as investigações sigam seu curso e que a justiça seja feita. A lei precisa ser cumprida por quem tem o dever de fazer cumpri-la.

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Movimentação no Porto de Vitória
Movimentação de cargas no Porto de Vitória cresce 24% em agosto e atinge recorde no mês
Juliana Paulo Pinto, grávida encontrada morta e queimada em Monte Líbano, em Cachoeiro de Itapemirim
Corpo de grávida esquartejada e queimada em Cachoeiro será levado a Vitória
Cachoeira artificial e aquecida no ES viraliza nas redes sociais
Cachoeira artificial e aquecida no ES viraliza nas redes sociais; vídeo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados