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Aleitamento materno

Amamentação: EUA contrariam anos de pesquisa científica

Devemos fazer tudo o que pudermos para defender políticas públicas que apoiem e capacitem as mães que amamentam.

Publicado em 12 de Julho de 2018 às 11:12

Públicado em 

12 jul 2018 às 11:12

Colunista

Aleitamento materno Crédito: Jordan Whitt/ Unsplash

Monica Barros de Pontes*

É triste e preocupante ver que um país grande e influente como os Estados Unidos posiciona-se contra anos de pesquisa científica que provam a importância e os benefícios do aleitamento materno.

É consenso na literatura que o leite materno é o melhor alimento para a promoção e proteção da saúde da criança e apresenta reconhecidos benefícios nutricionais, imunológicos, cognitivos, econômicos, sociais e emocionais.

Esses benefícios são aproveitados em sua magnitude quando o aleitamento materno é praticado exclusivamente até os seis meses de vida do bebê, permanecendo complementado por outros tipos de alimentos até os dois anos de idade ou mais, como recomendam a Organização Mundial de Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Ministério da Saúde do Brasil.

No Brasil, todos os esforços empreendidos em prol da amamentação impactaram de forma positiva nos indicadores dessa prática até o momento, porém, apesar dos avanços, a situação da amamentação encontra-se ainda aquém das recomendações nacionais e internacionais. Considerando todos os seus benefícios, é irrefutável a importância de levar esse conhecimento à sociedade, deixando claro que a opção de uso de fórmula só deve ser considerada em casos excepcionais, em que a mulher ou o lactente, por motivos clínicos, são impedidos de amamentar, podendo gerar risco a saúde materna ou infantil.

Assim, é lamentável ver que, apesar de, ao final, a resolução ter sido aceita por todos os países presentes na Assembleia Mundial da Saúde, a delegação dos Estados Unidos tenha tomado uma posição inicial contrária ao interesse mundial em prol do aleitamento materno e favorável à indústria do leite artificial.

Promover e defender o aleitamento materno e eliminar práticas não éticas de mercadização de produtos que interferem negativamente na amamentação é uma das responsabilidades dos Bancos de Leite Humano no Brasil.

Devemos fazer tudo o que pudermos para defender políticas públicas que apoiem e capacitem as mães que amamentam. Possuímos a maior e mais complexa rede de banco de leite do mundo. Atualmente existem no país 219 bancos, em todos os Estados e no Distrito Federal, contribuindo para a diminuição da mortalidade infantil. O modelo brasileiro é referência para aproximadamente 40 países, sendo que 23 deles realizam cooperação internacional com o Brasil.

Estima-se que o aleitamento materno reduz em até 13% a morte de crianças menores de cinco anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.

Precisamos focar em fazer com que pais tenham o maior número de apoio e informações possíveis, para proporcionarem os melhores cuidados para com seus filhos. Espera-se que este acontecimento possibilite a reflexão e aponte caminhos para que a efetividade e eficiência das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno continue sendo considerada referência no tocante à saúde infantil.

O mês de agosto aproxima-se e foi instituído, pela Lei Federal 13.435 de 12 de abril de 2017, como o mês de incentivo à amamentação (Agosto Dourado). Que possamos ampliar nossas ações e conscientizar a sociedade capixaba quanto a importância da amamentação natural.

* A autora é coordenadora do Centro de Referência Estadual da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano – BLH/Hucam

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