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Opinião da Gazeta

Agenda de investimento de empresas capixabas surpreende, mas tem lógica

Em sua coluna de estreia, Beatriz Seixas mostrou que maioria dos empresários escolheu investir, mesmo sem ideia de qual será o cenário em 2019. Eles querem estar preparados

Publicado em 23 de Julho de 2018 às 09:49

Públicado em 

23 jul 2018 às 09:49

Colunista

Baía de Vitória Crédito: Gazeta Online
Se o governo Temer se encaminha para o fim sem ter deixado um legado de reorganização econômica, resta ao empresário apelar para o instinto de sobrevivência. Só isso explica que, às vésperas de uma eleição tão nebulosa, persista no setor econômico capixaba a intenção de investir e contratar nos próximos seis meses. Porque o otimismo, se já era escasso na gestão de Dilma Rousseff, hoje continua sendo artigo em falta no mercado.
É, portanto, revelador o resultado do levantamento realizado por Beatriz Seixas em sua coluna de estreia, publicada no domingo (22). Dos 114 empresários de distintos portes e segmentos entrevistados, 77 escolheram o caminho dos investimentos, mesmo que inexista confiança no futuro político do país. E 73 dos participantes pretendem também contratar no mesmo período. Surpreende, mas também é uma aposta carregada de lógica quando não se vislumbra uma saída: não dá para se manter na estagnação, esperando a tormenta que pode ou não chegar.
É o retrato de um país – por mais que o recorte seja capixaba – sem expectativas, como em outros setores da sociedade. Ao mesmo tempo, a pesquisa expõe entrevistados empenhados em garantir a própria sustentação no mercado. É preocupante, mas ao mesmo tempo um fio de esperança é tecido. O empresariado capixaba quer estar preparado, mesmo que não faça ideia do que vai encontrar quando 2019 chegar.
O levantamento também deixa uma agenda posta para quem almeja os cargos em disputa em outubro. A prioridade do próximo governo, para o setor produtivo, deve ser melhorar o sistema tributário, reformar a Previdência (para ajustar as contas públicas) e desburocratizar o ambiente de negócios. Já passou da hora de recuperar a confiança e voltar a crescer, com todo o otimismo que os brasileiros merecem.

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