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Marcas

Abrir as portas para a diferença virou uma estratégia de sobrevivência

Independentemente do tipo de negócio, não dá mais para manter colaboradores que não dialogam com a diversidade dos consumidores de uma marca

Publicado em 01 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

01 dez 2019 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas
Consumidor e a relação com as marcas Crédito: Divulgação

Até bem pouco tempo atrás, colocar temas ligados à diversidade em prática era uma postura esperada somente de organizações com essência inovadora. A recente decisão da tradicional Victoria’s Secret de cancelar seu famoso desfile anual mostrou que há algo novo no ar. Ao que tudo indica, abrir as portas para a diferença deixou de ser apenas uma opção para se tornar uma estratégia de sobrevivência.

A grife de roupa íntima e cosméticos passou o último ano acossada por severas críticas diante da falta de pluralidade de seu elenco e de uma visão ultrapassada sobre os valores femininos. Mulheres que, aos poucos, aprendem a aceitar o próprio corpo, suas particularidades e imperfeições, não se veem mais representadas pelas modelos com medidas padronizadas, rostos irretocáveis e tudo no lugar que são a cara da Victoria’s Secret.

Fundada em 1977, a companhia sempre orbitou em torno de uma visão masculina a respeito da sexualidade feminina. Valia a tese de que uma mulher sensual é aquela que os homens consideram sensual. Com o tempo, a ideia de uma empresa que explora o conceito de mulher-objeto e, mesmo que indiretamente, permite ou estimula comportamentos desrespeitosos contra elas abalou a grife norte-americana.

Depois do Me Too, o movimento de empatia e sororidade que colocou o assédio sexual em debate ao redor do mundo, a Victoria’s Secret sumiu da lista das dez marcas favoritas do mercado adolescente. A seleção, feita recentemente pela consultoria Piper Jaffray, tem como líder deste ano a gigante esportiva Nike.

Coincidência ou não, a Nike tem levantado abertamente as bandeiras da diversidade e da inclusão. De uns tempos para cá, ações contra o racismo, a xenofobia e a intolerância religiosa, bem como a defesa de causas LGBTI+, passaram a frequentar as campanhas de publicidade, as políticas de patrocínio e as rotinas internas da companhia.

Uma marca parece compreender profundamente o que a outra nem suspeita (ou demorou demais para entender): que, independentemente do seu tipo de negócio, não dá mais para manter colaboradores que não dialogam com a diversidade de seus consumidores.

Ana Laura Nahas

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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