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Opinião da GAZETA

Abertura para crescer

Abertura da economia à concorrência mundial é condição indispensável para aumentar a competitividade do país e impulsionar o PIB

Publicado em 24 de Novembro de 2018 às 20:47

Públicado em 

24 nov 2018 às 20:47

Colunista

O Brasil precisa melhorar a eficiência de sua economia, tornar-se mais competitivo e crescer de modo expressivo e sustentado, por longo período. A abertura da economia à concorrência internacional é condição indispensável para viabilizar esse cenário e, felizmente, faz parte das metas do próximo governo.

As propostas preparadas por grupos de estudo têm um ponto em comum: a abertura deve ser gradual (com cuidado para evitar quebradeira) e unilateral, isto é, sem exigência de contrapartida, desde que assim seja vantajosa para incrementar investimentos no Brasil.

A teoria de que antes de ampliar a competição com o mundo devem ser feitas reformas para reduzir custo Brasil é uma forma sub-reptícia de resistência de atividades aninhadas no berço esplêndido do protecionismo. Essa comodidade privilegia vários setores e pesa no bolso da sociedade. As tarifas de importação encarecem os produtos estrangeiros e permitem aos produtores domésticos cobrarem valores mais altos por mercadorias similares. É uma transferência de dinheiro dos consumidores para empresas beneficiadas, que atinge R$ 130 bilhões por ano, mostrados por cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A competição internacional não apenas evita essa vultoso prejuízo como impulsiona a competitividade e, portanto, o crescimento da economia. Tem poder transformador. Leva à busca de tecnologia, a avanços no processo produtivo, na gestão, nas relações entre empresas e na modelação do trabalho, além de criar novos espaços industriais. Nos anos 1990, em meio a uma forte crise no mercado interno, e em condições operacionais das empresas muito inferiores às atuais, a redução da proteção à indústria automobilística melhorou a qualidade dos carros nacionais e eles deixaram de ser “carroças”. Incrementou as exportações de veículos.

A abertura ao exterior não pode mais demorar. O ideal é que seja feita em ambiente de vigoroso saneamento fiscal, a partir da reforma da Previdência e reestruturação da máquina pública. E que ocorra sincronizada com diversas medidas para destravar o funcionamento da economia. É imperioso cortar em muitos pontos o emaranhado burocrático e modificar o oneroso sistema tributário para facilitar o investimento, baixar o custo da produção e aumentar o potencial de expansão do PIB.

Observe-se que a abertura deve ser tratada não como fato isolado, visando à aproximação de empresas com o exterior, mas sim como integrante de amplo programa de aumento de competitividade. Compete ao Estado dar condições à iniciativa privada de evoluir. Não sendo assim, o país estará sempre condenado ao atraso.

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