Bom senso, cidadania e olhar para o futuro. Esses são os três pontos em que se confundem todos que estão envolvidos nesta longa, e muitas vezes desfocada, discussão sobre a validade ou não da Linha Verde, implantada na Praia de Camburi, pela Prefeitura de Vitória.
Entre os que são do contra, a grita é por conta do engarrafamento que o serviço provocou. Por parte do poder público, embora ele tente se explicar de diversas formas, também é evidente a falta de investimentos em políticas mais efetivas que assegurem a mobilidade urbana. Apenas uma via, com faixa exclusiva para ônibus, em meio a tantas outras medidas urgentes, é pouco para convencer o cidadão sobre seu comprometimento com a questão.
Discussões à parte, o que precisa ser debatido não é a Linha Verde e sim a importância dos corredores de ônibus para reduzir o tempo de viagem dos coletivos, o tipo de transporte que conduz a grande maioria das pessoas, diariamente, para o trabalho, para o lazer, para consultas médicas.
Para terem uma ideia da importância desses corredores, passam diariamente nos dez terminais do Transcol, em média, 685 mil pessoas. Portanto, projetos que busquem a redução do tempo de viagem desses coletivos é muito importante.
E este é um caminho sem volta. Muitas cidades da Europa, por exemplo, já colocam em ação planos impopulares que preveem a retirada dos carros das suas regiões centrais. Muito à frente, eles não só oferecem transporte coletivo eficiente como direcionam investimentos para sistemas movidos à energia limpa, sendo a bicicleta um dos meios de transporte que promovem para distâncias maiores.
Até as grandes montadoras de veículos há muito trabalham para atender às necessidades do transporte público, associado a um fato novo, a conectividade. Sim, porque sabendo que vão perder mercado por conta das restrições que o uso individual de veículos sofre cada vez mais, buscam na tecnologia, nos aplicativos, na união com empresas como o Uber, formas de seguirem garantindo suas receitas.
A palavra coletivo é que deve pautar a relevância desse debate. Logicamente, esse não é o único ponto que precisa ser avaliado para melhorar o transporte, mas, no momento, é o principal.
*O autor é consultor imobiliário e cidadão de Vitória que não anda de ônibus