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Vitor Vogas

A operação mais difícil do ex-Swat

Confira a coluna Vitor Vogas desta segunda-feira (27)

Publicado em 26 de Agosto de 2018 às 21:04

Públicado em 

26 ago 2018 às 21:04
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Coluna Vitor Vogas Crédito: Amarildo
De tiro ele entende. Numa campanha de tiro curto, o consultor de segurança pública e ex-instrutor da Swat Marcos do Val (PPS) desafia gigantes políticos na eleição ao Senado. Correndo por fora e apostando no discurso de renovação política, ele acredita ser capaz de desbancar os concorrentes que já exercem mandato, Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB). Ou pelo menos um deles.
Não será tarefa fácil. A última pesquisa Ibope, publicada por A GAZETA no dia 19 de agosto, comprova o amplo favoritismo com que largam Magno e Ferraço. O senador de grande parte dos evangélicos parte com 54% das intenções de voto; o de grande parte dos empresários tem 42%. Formando um distante 2º pelotão, Do Val e Fabiano Contarato (Rede), outro candidato de perfil policial, são os únicos com algum potencial de surpreender na disputa. Respectivamente, têm 8% e 10% das intenções. Até a presente campanha, nenhum dos dois havia disputado algum mandato eletivo.
Essa luta de Davis contra Golias também pode ser representada como duelo da renovação contra a tradição. Nunca, desde a redemocratização, o capixaba pôs no Senado alguém que não tivesse experiência política. Desde então, foram oito pleitos disputados, com 12 senadores eleitos pelo ES. Todos bem experimentados nas urnas e em cargos públicos.
Mas absolutamente nada disso tira o ânimo de Do Val, como ele mesmo afirma: “Acredito que eu possa ganhar, principalmente porque está tendo uma comoção nacional de renovação. Muitos dos senadores que lá estão respondem a processos. As pessoas estão demandando o novo. Basta as pessoas me conhecerem e conhecerem o meu currículo. Tenho total convicção de que uma das duas cadeiras é nossa. Não estamos entrando para participar visando a outro cargo no futuro. É para ganhar mesmo”, anuncia o ex-Swat, confirmando a estratégia de investir no discurso da renovação:
“Nunca fui candidato. Estou chegando leve. Não estou chegando pesado, com cargos, devendo favores a apoiadores. Chego fácil para fazer o meu trabalho. Precisamos de gente que consiga enxergar o que as pessoas não estão enxergando hoje. Para isso você precisa de alguém de fora. De fora do sistema político”.
Quanto à pesquisa do Ibope, Do Val prefere encará-la por outro ângulo: “Observamos os votos brancos e nulos, os indecisos e a rejeição. Tem 52% que ainda não definiram o voto. É um cenário de pessoas que estão em dúvida e não querem mais do mesmo. Na rua, temos escutado muito da renovação. E as pessoas ainda não estão sabendo quem são os novos candidatos, qual a sua experiência”.
Mas Do Val precisa correr para se fazer mais conhecido como candidato ao Senado. Para isso, ele aposta em duas estratégias. A primeira, prioritária, é a campanha pelas redes sociais, convocando as pessoas que acompanham e curtem seu trabalho a se tornarem colaboradores voluntários. “Vamos trabalhar mais forte na internet.” A outra é a tradicional propaganda eleitoral no rádio e na TV, que deve retroalimentar a da internet. Um dos dois candidatos da gigantesca coligação de Casagrande (PSB) – o outro é Ferraço –, Do Val deve ter cerca de 1 minuto e meio por programa. “É o dobro do tempo do Magno e maior que o de alguns candidatos ao governo”, compara ele. “Ali vamos mostrar quem é o Marcos do Val. E pedir para as pessoas fortalecerem a campanha pelas redes sociais.”
Será a operação mais difícil da carreira do instrutor de polícia. Para ter a mínima chance de ser exitoso, Do Val terá que entrar chutando a porta.
ENTREVISTA COMPLETA:
Onde está concentrada a sua base de apoio?
Está bem eclética. Por mais que a gente ache que está concentrada nos profissionais da área de segurança, tenho tido apoio da área da saúde, pois minha família vem de lá, e também da área empresarial. Quero trazer para o Brasil a experiência que tenho de 18 anos trabalhando fora, para fazer algumas mudanças na legislação. No Senado, atualmente, não tem ninguém experiente na área de segurança pública. E quero ter um projeto com o Renato (Casagrande, candidato ao governo apoiado por ele), que é transformar o Espírito Santo no melhor Estado do Brasil em qualidade de vida. É o meu projeto político.
O senhor vai investir no discurso da renovação?
A caminhada no meio político é muito desproporcional na comparação com quem já tem cargos, já tem carreiras. Você luta contra pessoas que já tem cargos comissionados e que vão lutar ferozmente para não perder esses cargos. Eu nunca fui candidato. Estou chegando leve. Não estou chegando pesado, com cargos, devendo favores a apoiadores. Chego fácil para fazer o meu trabalho. Precisamos de gente que consiga enxergar o que as pessoas não estão enxergando hoje. Para isso você precisa de alguém de fora. De fora do sistema político.
O senhor está competindo contra dois candidatos experientes, largamente testados nas urnas, que já exercem mandato no Senado e que, no momento, lideram com ampla folga as pesquisas de intenção de voto para o Senado. Na última do Ibope, Magno tem mais de 50%, enquanto Ferraço tem mais de 40%, enquanto o senhor tem 8%. Qual é a sua estratégia específica para superar os dois, ou pelo menos um dos dois?
Primeiro que a gente avalia a pesquisa por outro ângulo. A gente observa os votos brancos e nulos, os indecisos e a rejeição. Tem 52% que ainda não definiram voto. É um cenário de pessoas que estão em dúvida e não querem mais do mesmo. Na rua a gente tem escutado muito da renovação. As pessoas ainda não estão sabendo quem são os novos candidatos e qual a sua experiência. Então estamos apostando em duas estratégias. A primeira nós estamos montando nas redes sociais, convocando os meus seguidores que gostam e acompanham o meu trabalho ao longo deste ano para que virem cabos eleitorais. A segunda é a campanha de rádio e TV. Eu terei cerca de um minuto e meio. É o dobro do tempo do Magno e maior do que o de alguns candidatos ao governo. Ali vamos mostrar quem é o Marcos do Val. E pedir para as pessoas fortalecerem a campanha pelas redes sociais. Vamos trabalhar mais forte na internet.
É uma campanha de tiro curto. Estamos a menos de 50 dias da eleição. O senhor acredita mesmo que seja possível, em tão pouco tempo, reverter essa situação?
Acredito, principalmente porque tá tendo uma comoção nacional de renovação. Muitos dos senadores que lá estão atualmente respondem a processos. As pessoas estão demandando o novo. Basta as pessoas me conhecerem e conhecerem o meu currículo. Tenho total convicção de que uma das duas cadeiras é nossa. Não estamos entrando para participar visando a outro cargo no futuro. Estamos entrando para ganhar mesmo.
Caso o senhor não se eleja ao Senado e Casagrande consiga voltar ao governo estadual, o senhor cogita eventual participação em um novo governo Casagrande?
Não temos conversado sobre isso. Após as eleições é que a gente deve conversar sobre os cenários que se apresentarem e quais são as possibilidades. Mas até agora o nosso único objetivo é o Plano A, que é assumir uma das cadeiras no Senado.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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