Quantas vezes um motorista precisa ser flagrado alcoolizado, colocando a vida de pessoas em risco, para que sofra algum tipo de punição? Porque é inaceitável que alguém ao volante se torne um “velho conhecido” da polícia pela recorrência em que é detido nessa situação e solto logo depois, sem que algo seja feito para tirá-lo das ruas.
O caso mais recente é o de um condutor preso por direção perigosa e embriaguez no último sábado e já liberado ontem. O que torna a situação estarrecedora é que foi a quarta vez que ele foi flagrado na situação, sem contar as outras duas passagens pela polícia por violência doméstica. No trânsito, não faz nem tanto tempo assim a última ocorrência: em 21 de dezembro, ele havia atropelado um analista de sistemas em Vila Velha. Foi solto, claro.
Cansa, mas não dá para parar de repetir: chega de impunidade no trânsito! A frouxidão do sistema é conivente com tragédias anunciadas, que podem ser evitadas com mais rigor. Ainda há pouco, no fim de janeiro, um exemplo grave: um acidente com uma morte na Avenida Audifax Barcelos, na Serra, foi provocado por um motorista que já havia sido apanhado embriagado ao volante duas vezes. Na ocasião, acabou tirando uma vida. Lamentável constatar que a perda poderia ter sido evitada.
A morosidade, nesses casos, é cúmplice. É intolerável que o Código Brasileiro de Trânsito permita a demora de até cinco anos para um infrator ser punido, com todos os recursos possíveis. Desse jeito, as tragédias continuam rondando as ruas e estradas.