Queridos leitores, sigo a saga turística por essa Ilha Delícia. Lembram sexta passada? Saí da Praia do Canto, fui curtindo as recordações e juntei as memórias. De Camburi para lá, era selva pura onde os casais se escondiam para melhor apreciar o luar. Como sabem, a memória não está no passado. Este nem existe. Encontra-se no futuro, onde agrega-se às recordações e às coisas do presente. Cheguei à entrada do Centro da cidade, a rua da loja Gê Santos.
De um lado, um quintal fortemente guardado com um muro branco que dava gosto pichar “Abaixo a Ditadura”. Na lateral, o prédio da Faculdade de Filosofia, a Fafi, onde de trêfegos bailes se passava aos rostos colados as demais etapas do amor e da poesia. E lá vou eu. Não sei se dobro a Jerônimo Monteiro ou sigo reto para a Costa Pereira. A gloriosa praça, venceu. Passo, então, pelo Clube Álvares Cabral de frondosas domingueiras e bailes onde se apresentavam Helio Mendes, Mauricio de Oliveira e grande orquestra.
A cultura empresarial se reunia e discutia enquanto fazia a barba no Salão Garcia – tudo bem Jorcel Garcia? - um toque de elegância. Volta e meia aparecia um barão capixaba do café. A banca do Natal, bem em frente, não me deixa mentir. Às cinco horas da tarde, os pardais dedicavam-se às tarefas de cantar e cagar em nós. Quanta lembrança. Do outro lado da praça, as pastelarias soberbas. A frondosa escadaria bem de frente para tudo levava os fiéis à Catedral. Ali, nós, os meninos e meninas da Juventude Estudantil Católica (JEC), comemos toneladas de hóstias. Dado à fé e confiança dos padres, algumas tacinhas de vinho – vinho bom rapaz! - foram deglutidas. Mas ainda não estava bento.
No meio da praça havia um grupo de pensadores - jamais tive o prazer de frequentar ou conhecer, mas não me sai da memória - que constituíam o Clube da Madrugada. Isso mesmo, reuniam-se na madrugada capixaba a tecer conversa. Enquanto isso, a patota estava entregue à missão social de povoar Carapeba, como diria a Revista Agora do imortal Edgar dos Anjos.
Entro na Rua Sete, e sua eterna lanchonete. Paro entre a subida da Odontologia - onde o forró corria solto fins de semana - ou dobro à esquerda. Dobrei e dei de cara, em nome do pai do filho e, principalmente, do Espírito Santo, com o Britz Bar, dos irmãos Paru. Bem em frente da Praça da Prefeitura e do Colégio do Carmo, o campo de treinamento, todo de paralelepípedo, do Fluminensinho, grande fábrica de craques. Nunca joguei nos paralelepípedos.
Vai ver eu era bom demais.
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista